(FACISA - 2013)
Sobre os poemas de Ana Cristina César, assinale a alternativa incorreta.
O tom confessional aproxima muitos poemas do diário íntimo.
Produzidos na década de 70, os poemas em sua maioria dialogam com o regime militar então em vigor no Brasil.
A poesia, a banalidade da vida cotidiana e a ironia diante dos relacionamentos pessoais marcam muitos dos poemas da autora.
O rigor formal cede espaço na produção da autora para o experimentalismo no campo semântico.
A visão fragmentada da realidade é mimetizada formalmente em alguns poemas curtos, reticentes e alegóricos.
Gabarito:
Produzidos na década de 70, os poemas em sua maioria dialogam com o regime militar então em vigor no Brasil.
[B]
a) CORRETA. A confessionalidade é uma das marcas da poesia de AnaC. Sua poética é atravessada pela figuração de momentos e pensamentos íntimos, muitas vezes levada ao poema de forma a lembrar um diário: prosaica, sentimental.
b) INCORRETA. Ainda que fosse engajada politicamente, a poesia de Ana Cristina César não reporta, em maior escala, ao cenário político circundante. Não há muitos poemas que trazem explicitamente elementos do regime militar, como acontece em Cacaso, Chico Alvim, Chacal e outros "colegas" da poeta. Suas questões são mais silenciosas e subjetivas, numa elaboração poética ímpar entre os "marginais".
c) CORRETA. A metalinguagem poética, o cotidiano e a (auto) ironia são três eixos atravessadores da poesia de AnaC, que se manifestam em inúmeros poemas escritos pela autora. Seu interesse por desvelar camadas de sentido poético e melancólico a partir da vida comum é evidente.
d) CORRETA. A poeta, ainda que extremamente consciente de formas e procedimentos poéticos, é adepta da liberdade formal, na medida em que desconstrói paradigmas estéticos e parece ignorar, em diversos poemas, os "limites" da fôrma poética. Nesse sentido, sua poesia tem um tom mais experimental no plano dos sentidos e associações, e menos preocupação com a obediência a formas e princípios de composição;
e) CORRETA. Os poemas de Ana Cristina C. refletem a visão de uma realidade fragmentária, caótica, amorfa e indefinida. Isso se revela, esteticamente, na escolha pela brevidade, pela incompletude, e também pelo excesso e pela (trans)figuração alegóricos.