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Questão 2217

UNIFESP 2009
Português

(UNIFESP - 2009) 

INSTRUÇÃO: Os versos de Gregório de Matos são base para responder à questão:

Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:
Com sua língua ao nobre o vil decepa:
O Velhaco maior sempre tem capa.


Levando em consideração que, em sua produção literária, Gregório de Matos dedicou-se também à sátira irreverente, pode-se afirmar que os versos se marcam:

A

Pelo sentimentalismo, fruto da sintonia do eu lírico com a sociedade.

B

Pela indiferença, decorrente da omissão do eu lírico com a sociedade.

C

Pelo negativismo, pois o eu lírico condena a sociedade pelo viés da religião.

D

Pela indignação, advinda de um ideal moralizante expresso pelo eu lírico.

E

Pela ironia, já que o eu lírico supõe que todas as pessoas são desonestas.

Gabarito:

Pela indignação, advinda de um ideal moralizante expresso pelo eu lírico.



Resolução:

Para a resolução da questão é necessário relacionar a produção da sátira irreverente de Gregório de Matos com o poema a seguir:

Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:
Com sua língua ao nobre o vil decepa:
O Velhaco maior sempre tem capa.

a) INCORRETA, pois não é possível afirmar que o eu lírico se sente em sintonia com a sociedade, já que ele a critica através da sátira.

b) INCORRETA, uma vez que não é possível afirmar que o eu lírico é indiferente, já que a sátira é baseada justamente em uma crítica aos costumes, à sociedade, que é baseada em um juízo de valor, algo que não condiz com a indiferença.

c) INCORRETA, uma vez que não há condenação feita através do viés religioso, há uma crítica de base moral, não religiosa.

d) CORRETA, já que o ideal moralizante, como foi colocado na assertiva, assim como a consideração de que o mundo não é apenas povoado de pessoas desonestas, é evidenciado a partir da contraposição, no trecho  do terceiro verso transcrito, entre o “nobre” e o “vil”.

e) INCORRETA, pois a ironia é caracterizada por dizer o contrário do que realmente se quer dizer, e Gregório de Matos diz exatamente o que quer dizer, então não há ironia aqui, apenas sátira.

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