(UNIFESP - 2009)
INSTRUÇÃO: Os versos de Gregório de Matos são base para responder à questão:
Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:
Com sua língua ao nobre o vil decepa:
O Velhaco maior sempre tem capa.
Levando em consideração que, em sua produção literária, Gregório de Matos dedicou-se também à sátira irreverente, pode-se afirmar que os versos se marcam:
Pelo sentimentalismo, fruto da sintonia do eu lírico com a sociedade.
Pela indiferença, decorrente da omissão do eu lírico com a sociedade.
Pelo negativismo, pois o eu lírico condena a sociedade pelo viés da religião.
Pela indignação, advinda de um ideal moralizante expresso pelo eu lírico.
Pela ironia, já que o eu lírico supõe que todas as pessoas são desonestas.
Gabarito:
Pela indignação, advinda de um ideal moralizante expresso pelo eu lírico.
Para a resolução da questão é necessário relacionar a produção da sátira irreverente de Gregório de Matos com o poema a seguir:
Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:
Com sua língua ao nobre o vil decepa:
O Velhaco maior sempre tem capa.
a) INCORRETA, pois não é possível afirmar que o eu lírico se sente em sintonia com a sociedade, já que ele a critica através da sátira.
b) INCORRETA, uma vez que não é possível afirmar que o eu lírico é indiferente, já que a sátira é baseada justamente em uma crítica aos costumes, à sociedade, que é baseada em um juízo de valor, algo que não condiz com a indiferença.
c) INCORRETA, uma vez que não há condenação feita através do viés religioso, há uma crítica de base moral, não religiosa.
d) CORRETA, já que o ideal moralizante, como foi colocado na assertiva, assim como a consideração de que o mundo não é apenas povoado de pessoas desonestas, é evidenciado a partir da contraposição, no trecho do terceiro verso transcrito, entre o “nobre” e o “vil”.
e) INCORRETA, pois a ironia é caracterizada por dizer o contrário do que realmente se quer dizer, e Gregório de Matos diz exatamente o que quer dizer, então não há ironia aqui, apenas sátira.