Cidadezinha qualquer
Casas entre bananeiras
Mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma Poesia In _______ Reunião. 8.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977 )
Tem-se paralelismo sintático na segunda estrofe do poema, com a mudança apenas dos substantivos que se alternam – homem, cachorro, burro – do que se depreende um modo de expressar:
a equiparação do homem aos animais, nivelados pela mesma rotina.
o número mínimo de habitantes da cidadezinha.
a lerdeza do burro contagiando o homem e o cachorro.
a solidão do homem em meio aos animais.
a vida dos interioranos que não têm cultura.
Gabarito:
a equiparação do homem aos animais, nivelados pela mesma rotina.
[A]
Na "vida besta" retratada por Drummond toda a cidade flui no mesmo ritmo: lento, inerte e provinciano. O recurso ao paralelismo, na 2ª estrofe, é usado justamente para nivelar homem, burro e cachorro nesse mesmo sentido — todos vão devagar e assim se indiferenciam entre a paisagem "qualquer" observada pelas janelas.