(UNINTA - 2016)
Diz‐me o lixo que produzes e dir‐te‐ei quem és
As transformações de uma sociedade poderiam ser medidas pelas mudanças na produção do lixo. O lixo é o espelho da sociedade. Cada bairro, cada cidade produz o seu. E se o lixo hoje em dia é tão parecido é apenas por efeito da globalização. O lixo é objetivo, subjetivo, material e virtual. Nada e ninguém escapa ao lixo. Há pessoas que vivem do lixo das outras. Estamira, tal como a conhecemos no documentário que leva seu nome, é um exemplo.
Para falar a língua dos filósofos da moda, podemos dizer que há um devir‐lixo. Que o lixo é o destino. O lixo é, afinal, o que jogamos fora, mas não só. É o que lançamos fora por ser indesejado. Ainda que o ato de jogar seja consciente, tantas vezes algo que pensamos ter perdido, não foi lançado na lata do lixo inconscientemente? Ora, lixo é tudo o que herdaremos inconscientemente. Algo que não vimos ter sobrado. Não sabemos o que realmente nos sobra e esse é o nome tanto de nossa vaidade.
(Marcia Tiburi, 20/09/2015. Fragmento. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2015/09/v‐de‐vaidade/.)
Considerando as relações estabelecidas pelos termos grifados em: “O lixo é, afinal, o que jogamos fora, mas não só.” (2º§), é correto afirmar que a articulação estabelecida expressa ideias de, respectivamente:
Adição – contraste.
Conclusão – ressalva.
Explicação – oposição.
Pressuposição – focalização.
Simultaneidade – contraposição
Gabarito:
Conclusão – ressalva.
[B]
No trecho destacado, a conjunção "afinal" traz uma ideia de conclusão, que liga a ideia de "O lixo é o que jogamos fora" à ideia de lixo como destino. O segundo termo, "mas", marca uma ressalva, isto é, uma contraposição à afirmação feita, apresentando que o lixo vai além do que descartamos.