(UNIOESTE - 2020)
“(...) Em primeiro lugar, como ninguém pode amar uma coisa de todo ignorada, deve-se examinar com diligência de que natureza é o amor dos estudantes, entendendo-se por estudantes os que ainda não sabem, mas desejam saber. Naqueles casos em que a palavra estudo não é usual, podem existir amores de ouvido: como quando o ânimo se acende em desejo de ver e de gozar devido à fama de alguma beleza, porque possui uma noção genérica das belezas corpóreas pelo fato de ter visto muitas delas, e existe no interior dele algo que aprova o que no exterior é cobiçado. Quando isto acontece, o amor não é paixão de uma coisa ignorada, pois já conhece seu gênero. Quando amamos um varão bondoso, cujo rosto nunca vimos, amamo-lo pela notícia das virtudes que conhecemos na própria verdade”
SANTO AGOSTINHO, De Trinitade, livro 10.
A partir do texto de Santo Agostinho, assinale a alternativa CORRETA.
Amamos porque desconhecemos; se conhecemos, não amamos.
Em primeiro lugar, não existe amor entre os estudantes.
O amor desconhece o seu gênero porque somos livres.
Basicamente, os amores de ouvido são superiores.
Aquilo que amamos não é de todo ignorado.
Gabarito:
Aquilo que amamos não é de todo ignorado.
e) Correta. Aquilo que amamos não é de todo ignorado.
A questão é meramente interpretativa. Todas as alternativas falsas são facilmente percebidas através da leitura do texto. A alternativa correta é compreendida com facilidade a partir do trecho: "como ninguém pode amar uma coisa de todo ignorada".
a) Incorreta. Amamos porque desconhecemos; se conhecemos, não amamos.
O texto não conclui que o amor se dirige ao desconhecido por necessidade, pois nele mesmo se encontra que não se pode amar uma coisa totalmente desconhecida.
b) Incorreta. Em primeiro lugar, não existe amor entre os estudantes.
Primeiro, caso se compreende que não há amor nos estudantes, o próprio texto desmente isso, analisando justamente essa questão, como ocorre o amor dos estudantes aos estudos; segundo, se se compreende o amor entre os estudantes, isto é, uma certa relação afetuosa entre eles, não é esse objeto de discussão do texto.
c) Incorreta. O amor desconhece o seu gênero porque somos livres.
O própri o texto afirma o contrário, pois "o amor não é paixão de uma coisa ignorada, pois já conhece seu gênero".
d) Incorreta. Basicamente, os amores de ouvido são superiores.
Não encontra-se essa afirmação no texto.