(UNISC - 2012)
Nas suas Meditações, o filósofo estoico Marco Aurélio escreveu:
“Na vida de um homem, sua duração é um ponto, sua essência, um fluxo, seus sentidos, um turbilhão, todo o seu corpo, algo pronto a apodrecer, sua alma, inquietude, seu destino, obscuro, e sua fama, duvidosa. Em resumo, tudo o que é relativo ao corpo é como o fluxo de um rio, e, quanto á alma, sonhos e fluidos, a vida é uma luta, uma breve estadia numa terra estranha, e a reputação, esquecimento. O que pode, portanto, ter o poder de guiar nossos passos? Somente uma única coisa: a Filosofia. Ela consiste em abster-nos de contrariar e ofender o espírito divino que habita em nós, em transcender o prazer e a dor, não fazer nada sem propósito, evitar a falsidade e a dissimulação, não depender das ações dos outros, aceitar o que acontece, pois tudo provém de uma mesma fonte e, sobretudo, aguardar a morte com calma e resignação, pois ela nada mais é que a dissolução dos elementos pelos quais são formados todos os seres vivos. Se não há nada de terrível para esses elementos em sua contínua transformação, por que, então, temer as mudanças e a dissolução do todo?”
Considere as seguintes afirmativas sobre esse texto:
I. Marco Aurélio nos diz que a morte é um grande mal.
II. Segundo Marco Aurélio, devemos buscar a fama, a riqueza e o prazer.
III. Segundo Marco Aurélio, conseguindo fama, podemos transcender a finitude da vida humana.
IV. Para Marco Aurélio, a filosofia é valiosa porque nos permite compreender que a morte é parte de um processo da natureza e assim evita que nos angustiemos por ela.
V. Para Marco Aurélio, só a fé em Deus e em Cristo pode libertar o homem do temor da morte.
VI. Para Marco Aurélio, o homem participa de uma realidade divina.
Assinale a alternativa correta.
Somente as afirmativas I e V estão corretas.
Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
Somente as afirmativas IV e VI estão corretas.
Todas as afirmativas estão corretas.
Somente a afirmativa IV está correta.
Gabarito:
Somente as afirmativas IV e VI estão corretas.
CORRETAS:
IV. Para Marco Aurélio, a filosofia é valiosa porque nos permite compreender que a morte é parte de um processo da natureza e assim evita que nos angustiemos por ela.
A morte é, para o estoicismo, nada mais do que a ausência de sentidos; como afirma Marco Aurélio, é "a dissolução dos elementos pelos quais são formados todos os seres vivos". Por isso, não deve ser temida nem provocar angústia no homem, pois faz parte da vida e é mais um processo da natureza. Não se deve gastar a vida e o tempo pensando no fim inevitável, mas tentando tornar a vida mais aprazível por meio da aceitação dos sofrimentos e da imperturbabilidade da alma. O que permite esse entendimento ao homem é a Filosofia.
VI. Para Marco Aurélio, o homem participa de uma realidade divina.
O homem, para Marco Aurélio, participa de uma realidade divina na medida em que, após a morte, não transcende para um plano superior; o divino existe na realidade material e concreta que ele vive. Como afirma o texto: "[...] a Filosofia [...] consiste em abster-nos de contrariar e ofender o espírito divino que habita em nós [...]".
"ela [a morte] nada mais é que a dissolução dos elementos pelos quais são formados todos os seres vivos" e "aceitar o que acontece, pois tudo provém de uma mesma fonte" são trechos que indicam a unidade da origem das coisas, no pensamento de Marco Aurélio. Dessa forma, o divino que habita o interior do homem está presente também em todo o espectro da realidade.
INCORRETAS:
I. Marco Aurélio nos diz que a morte é um grande mal.
Marco Aurélio afirma que a morte não deve ser temida, nem entendida como um grande mal; ela é, antes, um processo natural da vida.
II. Segundo Marco Aurélio, devemos buscar a fama, a riqueza e o prazer.
III. Segundo Marco Aurélio, conseguindo fama, podemos transcender a finitude da vida humana.
Marco Aurélio afirma que a fama, a riqueza e o prazer são efêmeros e vazios (a fama é duvidosa e a reputação é esquecimento).
V. Para Marco Aurélio, só a fé em Deus e em Cristo pode libertar o homem do temor da morte.
Marco Aurélio afirma que a Filosofia pode libertar o homem do temor da morte.