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Questão 2804

ESCOLA NAVAL 2015
Português

(ESC. NAVAL - 2015) 

O reinado do celular

             De alto a baixo da pirâmide social, quase todas as pessoas que eu conheço possuem celular. É realmente um grande quebra-galho. Quando estamos na rua e precisamos dar um recado, é só sacar o aparelhinho da bolsa e resolver a questão, caso não dê pra esperar chegar em casa. Pra isso – e só pra isso – serve o telefone móvel, na minha inocente opinião.

            Ao contrário da maioria das mulheres, nunca fui fanática por telefone, incluindo o fixo. Uso com muito comedimento para resolver assuntos de trabalho, combinar encontros, cumprimentar alguém, essas coisas realmente rápidas. Fazer visita por telefone é algo para o qual não tenho a menor paciência. Por celular, muito menos. Considero-o um excelente resolvedor de pendências e nada mais.

            Logo, você pode imaginar meu espanto ao constatar como essa engenhoca se transformou no símbolo da neurose urbana. Outro dia fui assistir a um show. Minutos antes de começar, o lobby do teatro estava repleto de pessoas falando ao celular. “Vou ter que desligar, o espetáculo vai começar agora”. Era como se todos estivessem se despedindo antes de embarcar para a lua. Ao término do show, as luzes do teatro mal tinham acendido quando todos voltaram a ligar seus celulares e instantaneamente se puseram a discar. Para quem? Para quê? Para contar sobre o show para os amigos, para saber o saldo no banco, para o tele-horóscopo?? Nunca vi tamanha urgência em se comunicar à distância. Conversar entre si, com o sujeito ao lado, quase ninguém conversava.

            O celular deixou de ser uma necessidade para virar uma ansiedade. E toda ânsia nos mantém reféns. Quando vejo alguém checando suas mensagens a todo minuto e fazendo ligações triviais em público, não imagino estar diante de uma pessoa ocupada e poderosa, e sim de uma pessoa rendida: alguém que não possui mais controle sobre seu tempo, alguém que não consegue mais ficar em silêncio e em privacidade. E deixar celular em cima de mesa de restaurante, só perdoo se o cara estivar com a mãe no leito de morte e for ligeiramente surdo.

             Isso tudo me ocorreu enquanto lia o livro infantil O menino que queria ser celular, de Marcelo Pires, com ilustrações de Roberto Lautert. Conta a historia de um garotinho que não suporta mais a falta de comunicação com o pai e a mãe, já que ambos não conseguem desligar o celular nem por um instante, nem no fim de semana – levam o celular até para o banheiro. O menino não tem vez. Aí a ideia: se ele fosse um celular, receberia muito mais atenção.

             Não é história da carochinha, isso rola pra valer. Adultos e adolescentes estão virando dependentes de um aparelho telefônico e desenvolvendo uma nova fobia: medo de ser esquecido. E dá-lhe falar a toda hora, por qualquer motivo, numa esquizofrenia considerada, ora, ora, moderna.

             Os celulares estão cada dia menores e mais fininhos. Mas são eles que estão botando muita gente na palma da mão.

(MEDEIROS, Martha. O reinado do celular. In:__. Montanha Russa; Coisas da vida; Feliz por nada. Porto Alegre, RS: LPM, 2013. p. 369-370.)

“E toda ânsia nos mantém reféns.” (4º §). Em que opção o verbo “manter” está empregado corretamente, de acordo com a norma padrão?

A

O funcionário sabia que, se mantesse o celular ligado durante o expediente, alguém poderia reclamar.

B

Meu pai e minha mãe manteem os mesmos telefones celulares desde 2012 e não pretendem comprar aparelhos novos este ano.

C

"Pedro, mantenhas teu celular desligado durante o filme." – pediu um colega.

D

“Enquanto mantiverem seus celulares ligados, não começaremos a reunião,” reclamou o chefe.

E

O fiscal solicitou aos candidatos que mantivéssem os celulares desligados durante a prova.

Gabarito:

“Enquanto mantiverem seus celulares ligados, não começaremos a reunião,” reclamou o chefe.



Resolução:

Alternativas

  1. O funcionário sabia que, se mantesse o celular ligado durante o expediente, alguém poderia reclamar.Comentário: alternativa incorreta. O correto emprego do verbo em destaque é "mantivesse", ficando da seguinte maneira "O funcionário sabia que, se mantivesse (pretérito imperfeito do subjuntivo - 3ª pessoa) o celular ligado durante o expediente, alguém poderia reclamar."

  2. Meu pai e minha mãe manteem os mesmos telefones celulares desde 2012 e não pretendem comprar aparelhos novos este ano.Comentário: alternativa incorreta. O correto emprego do verbo em destaque é "mantêm"( terceira pessoa do plural no presente o indicativo), igualando a adequação verbal de "pretendem".

  3. "Pedro, mantenhas teu celular desligado durante o filme." – pediu um colega.Comentário: alternativa incorreta.Porque a correta conjugação do verbo manter nesse caso seria na segunda pessoa no modo imperativo "mantém ".

  4. “Enquanto mantiverem seus celulares ligados, não começaremos a reunião,” reclamou o chefe.Comentário: alternativa correta.

  5. O fiscal solicitou aos candidatos que mantivéssem os celulares desligados durante a prova. Comentário: alternativa incorreta. A forma do pretérito imperfeito do subjuntivo não é acentuada na 3ª pessoa do plural. A forma correta é "mantivessem". 

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