(ESPCEX - 2018)
Os parnasianos acreditavam que, apoiando-se nos modelos clássicos, estariam combatendo os exageros de emoção e fantasia do Romantismo e, ao mesmo tempo, garantindo o equilíbrio que almejavam. Propunham uma poesia objetiva, de elevado nível vocabular, racionalista, bem-acabada do ponto de vista formal e voltada para temas universais. Esse racionalismo, que enfrentava os "exageros de emoção" e fixava-se no formalismo, fica bem claro na seguinte estrofe parnasiana de Olavo Bilac:
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!/Pois só quem ama pode ter ouvido/Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Não me basta saber que sou amado,/Nem só desejo o teu amor: desejo/Ter nos braços teu corpo delicado,/Ter na boca a doçura do teu beijo.
Pois sabei que é por isso que assim ando:/Que é dos loucos somente e dos amantes/Na maior alegria andar chorando.
Mas que na forma se disfarce o emprego/Do esforço; e a trama viva se construa/De tal modo, que a imagem fique nua,/Rica, mas sóbria, como um tempo grego.
Esta melancolia sem remédio,/Saudade sem razão, louca esperança/Ardendo em choros e findando em tédio.
Gabarito:
Mas que na forma se disfarce o emprego/Do esforço; e a trama viva se construa/De tal modo, que a imagem fique nua,/Rica, mas sóbria, como um tempo grego.
a) Alternativa incorreta. O eu lírico nos versos expõe que para que se entenda algo (consequência) é necessário amar este algo (causa), isto é, coloca o amor no centro de todo o entendimento, o que vai de encontro à lógica parnasiana que busca uma "poesia objetiva, [...], racionalista"
b) Alternativa incorreta. O tópico central desses verbos é o sentimento, o amor e o desejo carnal, tema que vai na contramão do parnasianismo que pretende enfrentar os "exageros de emoção".
c) Alternativa incorreta. Observa-se que o eu-lírico expõe uma situação sentimental própria dos "loucos" e "amantes", personagens que não são foco do material artístico dos parnasianos.
d) Alternativa correta. As características destacadas são relativas à concepção mais tradicional da estética parnasiana: poesia objetiva, racionalismo, acabamento formal, temas universais e metalinguagem, além de fazer uma referência ao universo grego, em "tempo grego".
e) Alternativa incorreta. Ao falar da melancolia e da saudade, discorrendo sobre elas, demonstra um lirismo mais aflorado, com referências subjetivas, apelo sentimental, expressões internas do "eu lírico" e temática amorosa.