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Questão 56739

FUVEST 2013
Português

(FUVEST - 2013) 

Vivendo e...

Eu sabia fazer pipa e hoje não sei mais. Duvido que se hoje pegasse uma bola de gude conseguisse equilibrá-la na dobra do dedo indicador sobre a unha do polegar, quanto mais jogá-la com a 1precisão que tinha quando era garoto. (...)

Juntando-se as duas mãos de um determinado jeito, com os polegares para dentro, e assoprando pelo buraquinho, tirava-se um silvo bonito que inclusive variava de tom conforme o posicionamento das mãos. Hoje não sei mais que jeito é esse. Eu sabia a 2fórmula de fazer cola caseira. Algo envolvendo farinha e água e 3muita confusão na cozinha, de onde éramos expulsos sob ameaças. Hoje não sei mais. A gente começava a contar depois de ver um relâmpago e 11o número a que chegasse quando ouvia a trovoada, multiplicado por outro número, dava a 4distância exata do relâmpago. Não me lembro mais dos números. (...)

12Lembro o orgulho com que consegui, pela primeira vez, cuspir corretamente pelo espaço adequado entre os dentes de cima e a ponta da língua de modo que o cuspe ganhasse distância e pudesse ser mirado. Com prática, conseguia-se controlar a 5trajetória elíptica da cusparada com uma 6mínima margem de erro. Era 7puro instinto. Hoje o mesmo feito requereria 8complicados cálculos de balística, e eu provavelmente só acertaria a frente da minha camisa. Outra 9habilidade perdida.

Na verdade, deve-se revisar aquela antiga frase. É vivendo e .................... . Não falo daquelas 13coisas que deixamos de fazer porque não temos mais as condições físicas e a coragem de antigamente, como subir em bonde andando – mesmo porque 14não há mais bondes andando. Falo da sabedoria desperdiçada, das 10artes que nos abandonaram. Algumas até úteis. Quem nunca desejou ainda ter o cuspe certeiro de garoto para acertar em algum alvo contemporâneo, bem no olho, e depois sair correndo? Eu já.

Luís F. Veríssimo, Comédias para se ler na escola.

A palavra que o cronista omite no título, substituindo-a por reticências, ele a emprega no último parágrafo, na posição marcada como pontilhado. Tendo em vista o contexto, conclui-se que se trata da palavra

A

desanimando

B

crescendo

C

inventando

D

brincando

E

desaprendendo

Gabarito:

desaprendendo



Resolução:

A partir do conteúdo do texto, podemos perceber que o autor destaca coisas as quais ele sabia fazer na infância, mas hoje em dia acredita não conseguir mais (pelo menos não com o mesmo êxito de anos antes), o que pode-se observar logo no primeiro parágrafo do texto, em "Eu sabia fazer pipa e hoje não sei mais. Duvido que se hoje pegasse uma bola de gude conseguisse equilibrá-la na dobra do dedo indicador sobre a unha do polegar, quanto mais jogá-la com a precisão que tinha quando era garoto".

A partir dessa análise mais básica, podemos descartar as alternativas B e C, que não fazem sentido com o proposto pelo texto. A alternativa D pode ser descartada também, pois fica claro, no desenrolar da crônica, que em algum momento o autor parou de brincar e, por isso, perdeu a prática acerca de tudo aquilo que fazia quando menino.

A alternativa correta pode ser percebida através da frase em que a palavra está inserida, "Na verdade, deve-se revisar aquela antiga frase. É vivendo e ....................". Quando o autor sugere revisitar aquela antiga frase, fica claro que se trata do ditado vivendo e aprendendo. Assim, contrapondo essa visão, podemos inferir que o autor sugere a alteração pelo antônimo, resultando em vivendo e desaprendendo (alternativa E), já que não se trata propriamente de um processo em que o autor se vê "desanimado", mas sim que perdeu as habilidades que possuía na infância, isto é, desaprendeu-as.

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