(FUVEST 2014 - 2 fase)
O problema agrário era portanto o fundamental no ano de 1789, e é fácil compreender por que a primeira escola sistematizada de economia do continente, os fisiocratas franceses, tomara como verdade o fato de que a terra, e o aluguel da terra, era a única fonte de renda líquida. E o ponto crucial do problema agrário era a relação entre os que cultivavam a terra e os que a possuíam, os que produziam sua riqueza e os que a acumulavam.
Eric Hobsbawm. A era das revoluções. 1789‐1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982, p. 29.
a) Caracterize o momento social e econômico por que a França passava no período a que se refere o texto.
b) Quais são as principais diferenças entre as propostas fisiocratas e as práticas mercantilistas anteriores a elas?
Gabarito:
Resolução:
a) O texto se refere à crise do chamado Antigo Regime, em que se intensificavam as disputas entre as camadas da sociedade, estratificadas então entre a nobreza e o clero dotados de diversos privilégios, além do Terceiro Estado composto por grande parte daquela sociedade, abarcando desde os servos dos antigos regimes feudais que reivindicavam seus direito básicos contra a fome, a miséria e redução de impostos, até a alta burguesia que anseava igualdade política com o fim dos privilégios aos estamentos superiores. Era um período inicial da produção industrial, marcado pela manufatura, mas em uma economia extremamente dependente de um setor agrário que enfrentava grandes secas e crises, além da contradição entre as premissas do Antigo Regime que encontrava a debilidade do Estado nas desigualdades e nas contraditórias cargas tributárias em detrimento dos ideais mercantilistas que visavam intervenção do Estado à favor do povo.
b) Enquanto os fisiocratas acreditavam na liberdade econômica e na exploração dos recursos naturais como principal fonte de renda, o ideal Mercantilista depreendia que o caminho certo seria a intervenção estatal na economia junto ao protecionismo de mercado. Visava principalmente a exploração da acumulação de metais preciosos (ouro e prata), advogando que estes se atrairiam através do incremento das exportações e da restrição das importações.