(FUVEST - 2019 - 1ª FASE)
Seria difícil encontrar hoje um crítico literário respeitável que gostasse de ser apanhado defendendo como uma ideia a velha antítese estilo e conteúdo. A esse respeito prevalece um religioso consenso. Todos estão prontos a reconhecer que estilo e conteúdo são indissolúveis, que o estilo fortemente individual de cada escritor importante é um elemento orgânico de sua obra e jamais algo meramente “decorativo”. Na prática da crítica, entretanto, a velha antítese persiste praticamente inexpugnada.
Susan Sontag. “Do estilo”. Contra a interpretação.
Consideradas no contexto, as expressões “religioso consenso”, “orgânico” e “inexpugnada”, sublinhadas no texto, podem ser substituídas, sem alteração de sentido, respectivamente, por:
místico entendimento; biológico; invencível.
piedoso acordo; puro; inesgotável.
secular conformidade; natural; incompreensível.
fervorosa unanimidade; visceral; insuperada.
espiritual ajuste; vital; indomada.
Gabarito:
fervorosa unanimidade; visceral; insuperada.
Esta é uma questão de sinonímia em que a validação do campo semântico contextual é importante. No contexto comunicacional: “religioso consenso” diz respeito ao acordo fervoroso do crítico ao autor, uma vez que o primeiro não mais deseja ser taxado como antiquado e desatualizado. “Elemento orgânico” refere-se as peculiaridades do autor em suas obras, sendo, pois, algo visceral, arraigado e jamais um elemento de adorno e enfeite e “prática inexpugnada” refere-se ao que de fato acontece: apesar de os críticos serem não gostarem de admitir a associação estilo do autor e conteúdo, essa antítese ainda não foi superada.