(G1 - ifpe 2017)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir.
AÇÚCAR, O NOVO CIGARRO
1. Há um setor que vende um produto que faz mal à saúde do homem. Uma geração atrás, esse era o setor fumageiro, e o produto era o cigarro. Hoje, é o setor alimentício e o produto é o açúcar. O açúcar adicionado – não o açúcar natural que existe em frutas e legumes – está em tudo. Uma das maiores fontes são bebidas como refrigerantes, energéticos e sucos, mas um passeio pelo supermercado mostra que há açúcar adicionado a pães, iogurtes, sopas, vinhos, salsichas – na verdade, a quase todos os alimentos industrializados.
2. Esse “açúcar invisível” recebe muitos nomes. Nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, o consumidor pode encontrar até 83 nomes diferentes para o açúcar adicionado. Sobre esse assunto, Helen Bond, nutricionista da Associação Dietética Britânica, diz: “É um marketing inteligente: palavras como ‘frutose’ fazem pensar que estamos reduzindo o açúcar adicionado, mas o fato é que estamos polvilhando açúcar branco sobre a comida.” Outros especialistas afirmam, ainda, que esse açúcar a mais é completamente desnecessário, pois, ao contrário do que a indústria alimentícia quer que acreditemos, o organismo não precisa da energia de nenhum açúcar adicionado.
3. No Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o açúcar adicionado representa da ingestão total de açúcar do brasileiro. Ainda segundo o Ministério, o
excesso de açúcar na dieta é fator de risco para o desenvolvimento da obesidade, embora o perigo para a saúde não seja só o desenvolvimento desse mal: há indícios que ligam o açúcar a doenças hepáticas, diabetes tipo 2, cardiopatias e cáries. Ainda assim, o setor de bebidas e alimentos continua a promover o açúcar, com muita publicidade de seus produtos açucarados. Grandes quantias também são empregadas para se opor à rotulagem mais explícita dos produtos e combater o aumento da tributação de alimentos e bebidas açucarados.
4. Os defensores da saúde pública levantam a ideia de que duas abordagens bem-sucedidas na redução do hábito de fumar são necessárias no combate ao consumo excessivo de açúcar: a educação do consumidor e a tributação. Em janeiro de 2014, o México criou um imposto sobre bebidas açucaradas, e sua venda caiu no primeiro ano. Na França, um imposto sobre refrigerantes criado em 2012 resultou no declínio gradual do consumo. A Noruega tributa alimentos e bebidas açucarados e divulga informações há muitos anos, com bons resultados. Em março deste ano, o chanceler britânico George Osborne anunciou a criação de um imposto sobre bebidas açucaradas a ser cobrado de produtores e importadores de refrigerantes.
5. Embora tenha havido algum sucesso com a tributação, o setor de alimentos e bebidas continua a fazer pressão contra informar sobre o açúcar adicionado ao consumidor – mais uma vez, exatamente como fizeram as empresas fumageiras ao combaterem as tentativas do governo de pôr nas embalagens de cigarros mensagens alertando para o perigo de fumar (medida adotada também no Brasil). Na esteira das preocupações em relação ao açúcar, o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA) anunciaram recentemente que estudam um acordo para reduzir a quantidade de açúcar nos alimentos processados, semelhante ao que é feito com o sal. A primeira etapa deve começar em 2017, com análise das principais fontes de açúcar na dieta dos brasileiros.
ECENGARGER, William. AIKINS, Mary S. Açúcar, o novo cigarro (adaptado). Revista Seleções.
Disponível em: <http://www.selecoes.com.br/acucar-o-novo-cigarro>. Acesso: 01 out. 2016.
No trecho “Os defensores da saúde pública defendem a ideia de que duas abordagens bem-sucedidas na redução do hábito de fumar são necessárias no combate ao consumo excessivo de açúcar: a educação do consumidor e a tributação”, as palavras destacadas foram escritas corretamente, de acordo com a nova ortografia da Língua Portuguesa.
Assinale a alternativa em que todos os termos também estão grafados conforme prevê o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Ceu e ciberespaço.
Aneis e bem-vindo.
Paranóia e pseudociência.
Assembleia e mal-criado.
Heroico e benfeitor.
Gabarito:
Heroico e benfeitor.
[A] Incorreta: o certo seria “céu” e “ciberespaço”.
[B] Incorreta: o certo seria “anéis” e “bem-vindo”.
[C] Incorreta: o certo seria “paranoia” e “pseudociência”.
[D] Incorreta: o certo seria “assembleia” e “malcriado”.