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Questão 30541

IME 2013
Redação

[IME - 2013/2014 - 2a fase]

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma-padrão da língua portuguesa sobre o tema:

As manifestações artísticas e a interconexão entre as áreas do conhecimento na formação global do indivíduo

Relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

 

TEXTO I

“A utilidade do inútil”, de Nuccio Ordine, é uma defesa de tudo que nos faz humanos

 

Escritor italiano argumenta contra motores do mundo de hoje – a busca por lucro e o culto de posse

 

Irinêo Baptista Netto - 01/03/2016

 

      O título do livro “A Utilidade do Inútil” faz um jogo de palavras. Como pode haver utilidade para algo que é inútil?

      Dá para supor que tudo tem uma utilidade – até um relógio com ponteiros parados está certo duas vezes por dia –, mas o alvo do autor, o filósofo italiano Nuccio Ordine, é a ideia que move o mundo hoje: a de que tudo aquilo que não dá lucro é inútil.

      Sozinho contra todos – e em defesa da arte –, Ordine reúne argumentos bons para mostrar que essa lógica de acumular dinheiro e poder (apenas pelo dinheiro e pelo poder) é desumana.

      “No universo do utilitarismo, um martelo vale mais que uma sinfonia, uma faca mais que um poema, uma chave de fenda mais que um quadro: porque é mais fácil compreender a eficácia de um utensílio, enquanto é sempre mais difícil compreender para que podem servir a música, a literatura ou a arte”, escreve Ordine.

      Se ficamos indiferentes ao que de fato pode dar algum sentido à vida – àquilo que nos faz humanos –, corremos o risco de viver como os peixes na historinha que o escritor David Foster Wallace (1962-2008) contou para um grupo de estudantes do Kenyon College, em Ohio (EUA), no dia da formatura deles.

      A historinha (que, depois do suicídio de Wallace, virou livro) é citada por Ordine e diz que dois peixes jovens nadando um ao lado do outro encontram um peixe mais velho que os cumprimenta e diz: “Bom dia, jovens, como está a água?”.

      Os dois peixinhos passam pelo velho, nadam mais um pouco e um olha para o outro: “Que diabos é água?”.

      Wallace quis mostrar que coisas essenciais para a vida podem passar despercebidas.

      “Não nos damos conta, de fato, de que a literatura e os saberes humanísticos, a cultura e a educação constituem o líquido amniótico ideal no qual podem se desenvolver vigorosamente as ideias de democracia, liberdade, justiça, laicidade, igualdade, direito à crítica, tolerância, solidariedade e bem comum”, argumenta Ordine.

      É uma discussão difícil – como falar de arte quando você precisa ganhar a vida? –, mas Ordine, a exemplo do peixe mais velho, a conduz com leveza.

      A estrutura do livro é irresistível, formada de capítulos curtos, diretos, não necessariamente conectados uns com os outros, e funciona como um compêndio de sacadas que o filósofo teve ao longo dos anos, dando aulas sobre o assunto na Universidade de Calábria.

      Abandonar a pretensão de possuir, saber conviver com o risco da perda significa aceitar a fragilidade e a precariedade do amor. Significa renunciar à ilusão de uma garantia de indissolubilidade do elo amoroso e reconhecer que as relações humanas, com os limites e as imperfeições que as distinguem, não podem prescindir da opacidade, das zonas de sombra, da incerteza. Eis por que procurar no amor a transparência total, a verdade absoluta, significa destruir o amor, significa sufocá-lo num abraço mortal.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/literatura/a-utilidade-do-inutil-de-nuccioordine-e-uma-defesa-de-tudo-que-nos-faz-humanos-9auy8wb3wurpyx0fbioqrvuhh

https://kuadro-static.storage.googleapis.com/52e92f703db0463a8dbeae078819fe97

 

TEXTO II

Escher, o gênio da arte matemática

Com a ajuda da geometria, nada é o que aparenta ser no trabalho surpreendente do artista holandês.

1

          Você já deve ter visto pelo menos uma das gravurras do artista gráfico  holandês M. C.

 

Escher. Elas já foram reproduzidas não só em dezenas de livros de arte, mas também na

 

forma de pôsteres, postais, jogos, CD-ROMs, camisetas e até gravatas. Caso não se

 

lembre ,então você não viu nenhuma. Olhar para as intrigantes imagens criadas por 

5

Escher é uma experiência inesquecível. Tudo o que  nelas está representado nunca é

 

exatamente o que parece ser. Há, em todas elas, sempre uma surpresa visual à espera 

 

do espectador. Isso porque, para ele, o desenho era pura ilusão.  A realidade pouco

 

interessava. Antes, preferia o contrário: criar mundos impossíveis que apenas parecessem

 

reais. Eis porque acabou se tornando uma espécie de mágico das artes gráficas.

10

          Seus desenhos, porém, não nasciam de passes de mágica, nem somente de sua

 

apurada técnica de gravador. Sua obra está apoiada em conceitos matemáticos, extraídos

 

especialmente do campo da geometria. Essa era a fonte de seus efeitos surpreendentes.

 

Foi com base nesses princípios que Escher subverteu a noção da perspectiva clássica

 

para obter suas figuras impossíveis de existir no espaço "real". Aliás, desde o começo, 

15

fascinou-o essa condição essencial do desenho, que é a representação tridimensional dos

 

objetos na inevitável bidimensionalidade do papel. Brincou com isso o mais que pôde.

 

Também há matemática na divisão regular da superfície usada por Escher para criar, de

 

maneira perfeita, suas famosas séries de metamorfoses, onde formas geométricas

 

abstratas ganham vida e vão, aos poucos, se transformando em aves, peixes, répteis e até

20

seres humanos.

 

          Foi essa proximidade com a ciência que deixou os críticos de arte da época de cabelo

 

em pé. Afinal, como classificar o trabalho de Escher? Era "artístico" o que ele fazia ou

 

puramente "racional"? Na dúvida, preferiram silenciar sobre sua obra durante vários anos.

 

Enquanto isso, o artista foi ganhando a admiração de matemáticos, físicos, cristalógrafos e

25

eruditos em geral. Mas essa é outra faceta supreendente de Escher.

 

Embora seus trabalhos tivessem forte conteúdo matemático, ele era leigo no assunto.

 

          A bem da verdade, Escher sequer foi um bom aluno Ele mesmo admitiu mais tarde

 

que jamais ganhou, ao menos, um "regular" em matemática. Conta-se até que H.M.S.

 

Coxeter, um dos papas da geometria moderna, entusiasmado com os desenhos do

30

artista, convidou-o a participar de uma de suas aulas. Vexame total. Para decepção do

 

catedrático, Escher não sabia do que ele estava falando, mesmo quando discorria

 

sobre teorias que o artista aplicava intuitivamente em suas gravuras.


GALILEU. Escher, o gênio da matemática. Disponível em: <http://galileu.globo.com/edic/88/conhecimento2.htm> Acesso em 05/05/2013.



Xilogravura: 'Céu e Água I', de 1938.

Foto: The M. C. Escher Company B.V. Baarn, The Netherlands. VEJASP. Xilogravura 'Céu e Água'. Disponível em: http://vejasp.abril.com.br/atracao/mauritis-cornelis-escher. Acesso em 09/05/2013.




 

TEXTO III

Arte estimula o aprendizado de matemática

1          Resolver operações matemáticas foi difícil para muitos gênios da ciência, e
  continua pouco atraente para muitos alunos em salas de aula. Muita gente pensa em
  vincular matemática com a arte para tornar o aprneidzado mais estimulante.
           O professor Luiz Barco, da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São
5 Paulo (USP) é um deles. "Há mais matemática nos livros de Machado de Assis, nos
  poemas de Cecília Meireles e Fernando Pessoa do que na maioria dos livros didáticos de
  matemática". Para ele, a matemática captura a lógica do raciocínio, assim como
  acontece com o imaginário na literatura, com a harmonia na música, na escultura, na
  pintura, nas artes em geral.
10          Para o pesquisador Antônio Conde, do Instituo de Matemática e Computação da
  USP/São Carlos, a convivência entre arte e matemática aumentaria a capacidade de
  absorção dos estudantes. "O lado estético da matemática é muito forte, a 
  demonstração de um teorema é uma obra de arte", conclui.
           O holandês Mauritis Cornelis Escher é, provavelmente, um dos maiores
15 representantes dessa ligação, produzindo obras de arte geometricamente
  estruturadas. Ele provou, na prática, que é possível olhar as formas espaciais do
  ponto de vista matemático, ou sob o seu aspecto estético, utilizando-as para se
  expressar plasticamente.
           "Olhando os enigmas que nos rodeiam e ponderando e analisando as minhas
20 observações, entro em contato com o mundo da matemática", dizia Escher, que
  morreu em 1972.

 

CIÊNCIA E CULTURA. Arte estimula o aprendizado de matemática. Disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252003000100017&script=sci_arttext>. Acesso em 05/05/2013.

 

TEXTO IV

Escola troca seguranças por professores de artes e melhora desempenho de alunos.

         Cercado por crianças indisciplinadas e pelo aumento de violência dentro das salas de aula, o diretor de uma escola pública de Ensino Médio da cidade de Boston, nos Estados Unidos, tomou uma medida que, à primeira vista, pareceu loucura: ele demitiu todos os funcionários da segurança e, com o dinheiro, reinvestiu contratando professores de arte.

         Em menos de três anos, o colégio Orchard Gardens, que figurava entre os cinco piores do estado de Massachusetts, tornou-se uma das unidades onde houve maior salto de qualidade no aprendizado de alunos. O segredo?

         - Não há um único jeito de se fazer uma tarefa. E a arte te ajuda a compreender isso. Se você levar isso a sério, o mesmo acontecerá na parte acadêmica e em outras áreas. Eles precisam mais do que um teste preparatório e mais do que simplesmente responder de um jeito uma questão – disse À rede de TV NBC o diretor Andre Bott, o sexto a gerir a unidade em menos de sete anos.

         Ao assumir a direção da Orchard Gardens em 2010, Bott chegou a ouvir de seus colegas que a escola era conhecida como a "matadora de carreiras" dentro da rede estadual de Massachusetts.

         Construída em 2003 para ser uma referência no mundo das artes, a Orchard Gardens nunca alcançou esse objetivo. O estúdio de dança era usado como depósito, e instrumentos de orquestra estavam praticamente intactos. A violência chegou a tal ponto que os alunos foram proibidos de levar mochilas. Tudo para se reduzir a incidência de armas em sala de aula. Cerca de 56% dos mais de 800 alunos da escola são descendentes de latinos, e outros 42% são considerados negros.

         Mas com a substituição de seguranças por professores de arte, as paredes dos corredores viraram muros de exposição, os entulhos no estúdio deram espaço às aulas de dança e a orquestra voltou a tocar. De acordo com Bott, o contato com as artes deixou os alunos mais  motivados e com maior espírito de empreendedorismo.

         Um dos alunos, Keyvaughn Little, conseguiu ser aceito na disputada Academia de Artes de Boston, única escola pública do estado especializada em artes visuais e performance.

         Todas as aulas extra-classe e a maior atenção que recebemos nos faz pensar "eu realmente posso ter um futuro nisso e não preciso ir para uma escola regular. Posso ir para uma escola de artes" – afirmou Keyvaughn à NBC.

O GLOBO.Escola troca seguranças por professores de artes e melhora desempenho de alunos. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/educacao/escola-troca-segurancas-porprofessores-de-artes-melhora-desempenho-de-alunos-8267206>.Acesso em 22 mai 2013.

 

Texto V

O texto a seguir é um pequeno recorte de entrevista concedida por Hélène Grimaud, pianista francesa de renome internacional, à jornalista Josée Dupuis. Além de pianista, Hélène Grimaud é também autora de dois livros.


Josée Dupuis: Eu li no seu livro Variação Selvagem que o piano a salvou, que se você não fosse pianista teria se tornado delinquente. É verdade isso?


Hélène Grimaud: Desde pequena ouvi meus pais falarem sobre o que os psicanalistas diziam a meu respeito. Eu era intransigente e de uma tal intensidade que foi necessário o recurso às artes. Eu tenho consciência de que as coisas não teriam sido nada fáceis para mim, se eu não tivesse sido apresentada à música, porque nada me bastava e daí vinha minha inadaptação à escola: eu interrompia as aulas com perguntas que não tinham nada a ver com o programa, havia sempre essa inquietação que me caracterizava; foi a música que me permitiu ver horizontes e profundidades insondáveis. Finalmente encontrei uma atividade apropriada a meu desenvolvimento em toda sua intensidade. (...) Eu sempre me vi pensando sobre o papel de um artista na sociedade. E me parecia ser um papel um tanto irrisório à medida que diante da miséria do mundo a arte torna-se um luxo. Eu precisei de muito tempo para me reconciliar com o fato de que a arte não deve ser encarada como um luxo, mas como uma necessidade.

Entrevista concedida ao Canal 5 da França, disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=g8_3jrjGAxg>.   Transcrição, adaptação e tradução de Célia Câmara de Araújo, Maj QCO. Acesso em 15 mai 2013. 


 

TEXTO VI

Criança Esperança

Foto: UNESCO/ Mila Petrillo

O Programa Criança Esperança, uma parceria da TV Globo e da UNESCO, contribui para empoderar pessoas, criar oportunidades e transformar vidas. Ao longo de 30 anos já beneficiou mais de 4 milhões de crianças, adolescentes e jovens em todo o Brasil.

Doações da sociedade e também de empresas permitem apoiar projetos em diferentes áreas, como educação, esporte, cultura, cidadania, inclusão e juventudes, desenvolvidos por organizações não-governamentais, localizadas em diversas regiões do Brasil.

Essas doações podem ser feitas em qualquer época do ano, pela internet, ou por telefone, durante a campanha de arrecadação de recursos, quando também é realizado o Show Criança Esperança, considerado o ápice da mobilização da sociedade.

Foto: UNESCO/ Mila Petrillo

A UNESCO é a responsável pela seleção dos projetos, realizada por meio de edital público, e pela gestão dos recursos arrecadados. Além disso, a Organização realiza o monitoramento da execução dos projetos apoiados, feito por meio de periódicas prestações de contas e de relatórios técnicos e, também, de visitas de monitoramento aos locais onde são implementados os projetos.

O Programa acaba de completar 30 anos: foi criado em 1986 e já apoiou mais de 5 mil projetos nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. Sua trajetória mostra como é possível reescrever destinos e superar expectativas.

Parte dessa história de três décadas de sucesso está contada no livro “Criança Esperança: 30 anos, 30 histórias”, lançado em 2015.

Promover o desenvolvimento humano e social de crianças, adolescentes e jovens é uma das prioridades da UNESCO no Brasil.

Fonte: https://nacoesunidas.org/campanha/crianca-esperanca/

Gabarito:

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