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Questão 30546

IME 2013
Redação

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma-padrão da língua portuguesa sobre o tema:

 As mudanças climáticas e o desafio do desenvolvimento sustentável

Relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEXTO I


O acordo de Paris sobre o clima

Documento aprovado em 2015 na Conferência do Clima visa limitar o aumento da temperatura global ao máximo de 2ºC em relação aos níveis da era pré-industrial. Uma visão geral do conteúdo do pacto.

    

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O primeiro acordo universal para luta contra as mudanças climáticas e o aquecimento global foi alcançado por delegados de 196 países presentes na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP21), na capital da França, em 12 de dezembro de 2015.

 

Veja os principais pontos do Acordo de Paris:

 

Manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2ºC

A comunidade internacional se comprometeu a limitar o aumento da temperatura ao teto máximo de 2ºC em relação aos níveis da era pré-industrial e a "continuar os esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC". O objetivo implica numa redução drástica das emissões dos gases causadores do efeito estufa, com medidas como economia de energia, maiores investimentos em energias renováveis e reflorestamento.

O acordo foi assinado por 196 países – incluindo a Autoridade Palestina –, dos quais 147 o ratificaram oficialmente, e entrou em vigor no dia 4 de novembro de 2016 após atingir o mínimo de 55 ratificações, representando 55% das emissões globais de gases do efeito estufa.

 

Como alcançar esse objetivo?

Os 196 países signatários concordaram em atingir "um pico das emissões de gases-estufa o mais cedo possível" e, "em seguida, iniciar reduções rápidas para chegar a um equilíbrio entre as emissões" originadas por atividades humanas e aquelas "absorvidas pelos sumidouros de carbono durante a segunda metade do século", uma referência às florestas, mas também às técnicas de captação e armazenamento de CO2 emitido para a atmosfera..

Frankreich Cop21 Klimagipfel in Paris Klimaabkommen beschlossen

Chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, (esq.) comemora acordo com secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e presidente François Hollande

 

Revisão dos compromissos

Um dos objetivos essenciais do acordo é a criação de um mecanismo de revisão dos compromissos voluntários dos países, de cinco em cinco anos. A primeira revisão obrigatória ocorrerá em 2025 e as seguintes deverão mostrar "uma progressão".

Além disso, o painel intergovernamental de peritos do clima (GIEC) deverá elaborar em 2018 um relatório especial sobre os meios para se alcançar a meta de 1,5ºC e sobre os efeitos desse aquecimento. Nesse ano, os 196 países farão uma primeira análise da ação coletiva. Em 2020, serão convidados a rever suas contribuições.

 

Quem faz o quê?

Os países industrializados "devem estar na linha de frente e estabelecer objetivos de redução das emissões em valores absolutos". Os países em desenvolvimento deverão "continuar a aumentar os esforços" na luta contra o aquecimento global "à luz de sua situação nacional".

 

Verificação

Até então os países industrializados estavam sujeitos a regras mais rigorosas em matéria de verificação das ações realizadas, e o Acordo de Paris prevê que o mesmo sistema seja aplicado a todas as nações signatárias. Está prevista, porém, uma certa flexibilidade, devido "às diferentes capacidades" dos países.

Frankreich Cop21 Klimagipfel in Paris Klimaabkommen beschlossen

Anúncio do acordo de Paris foi recebido com emoção

Ajuda financeira aos países em desenvolvimento

Em 2009, os países desenvolvidos prometeram 100 bilhões de dólares por ano, a partir de 2020, a fim de ajudar as nações em desenvolvimento a financiar a transição para energias limpas, assim como sua adaptação aos efeitos do aquecimento, dos quais são as primeiras vítimas.

Como defendido pelos países em desenvolvimento, o texto estabelece que a soma prevista é apenas "um teto". Um novo valor financeiro será definido em 2025. Os países mais ricos não queriam ser os únicos a pagar a conta, exigindo uma contribuição da China, Coreia do Sul, Cingapura e das nações ricas em petróleo. A fórmula prevê que "terceiras partes [países ou grupos de países] são convidadas a apoiar voluntariamente".

 

Indenizações a países vulneráveis

Pretende-se prestar ajuda aos países atingidos pelos efeitos do aquecimento global, quando os mecanismos de adaptação – como sistemas de alerta meteorológico ou diques – já não conseguirem mais deter os danos irreversíveis ligados ao degelo dos glaciares ou ao aumento do nível das águas, por exemplo.

 

Transparência

Todos os países devem registrar e divulgar suas atividades para proteção do clima, assim como dados sobre a emissão de gases-estufa. Este ponto é "flexível" para as nações em desenvolvimento e emergentes. Embora o Acordo de Paris seja legalmente vinculativo, não está prevista nenhuma sanção a países que não cumpram as estipulações.

Em junho de 2017, o presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos se retirariam do Acordo de Paris, alegando que ele seria "injusto" com a economia americana. O texto prevê a possibilidade de retirada, mas a notificação só pode ser dada três anos após a entrada em vigor do acordo, com a saída se efetuando um ano mais tarde.

Após a retirada dos EUA, segundo maior emissor global de gases do efeito estufa, a China e a União Europeia (respectivamente, 1º e 3º entre os que mais poluem) se comprometeram a dar continuidade ao Acordo. A Rússia, 5º maior poluidor global, atrás da Índia, é a maior nação industrializada a não ter ratificado o tratado.

 

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/principais-pontos-do-acordo-de-paris-sobre-o-clima/a-18915243


 

TEXTO II

Após muitas ameaças, o presidente americano enfim cumpriu sua promessa e deu o primeiro passo para tirar os EUA

Donald Trump hesitou em cumprir sua promessa. Foram reuniões e mais reuniões com seus conselheiros até bater o martelo e anunciar, nesta quinta-feira (1º), que está tirando os Estados Unidos do Acordo de Paris – o tratado assinado na capital francesa e ratificado por mais de 130 países com metas para reduzir poluição emitida por fábricas, veículos e desmatamento e, desta forma, limitar o aumento da temperatura do planeta. "Para cumprir meu dever de proteger a América, os Estados Unidos vão se retirar do Acordo do Clima de Paris e começar renegociações para reentrar no acordo de uma forma que seja justa com o povo americano", disse o presidente.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anuncia que o país está se retirando do Acordo de Paris (Foto: Brendan Smialowski / AFP)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anuncia que o país está se retirando do Acordo de Paris (Foto: Brendan Smialowski / AFP)

As medidas não são surpresa para ninguém. Desde o início da campanha eleitoral, Trump ataca as regulações ambientais e o acordo internacional do clima. Seu escolhido para chefiar a Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt, iniciou o processo de desmontar as medidas climáticas aprovadas no governo anterior, do ex-presidente Barack Obama. Mas ainda havia dúvidas se Trump tomaria o caminho longo e complicado de bater de frente contra a comunidade internacional e o multilateralismo. Foi esse o caminho escolhido, amparado por seu mote "America first". Nesse caso, o que vem primeiro não é o meio ambiente americano, mas possíveis postos de trabalho que a indústria de carvão e petróleo poderia gerar se ela ficar livre de restrições ambientais.

O ataque de Trump às políticas para conter o aquecimento global nos EUA tem muitas frentes. Na área da diplomacia, o presidente americano fez questão de mostrar seu isolamento na última reunião do G7, na Itália – os líderes das outras seis maiores economias do mundo disseram que o combate às mudanças climáticas é prioridade. No cenário doméstico, a administração americana promove o total desmonte das políticas ambientais aprovadas por Obama. Em apenas 100 dias, Trump desfez 23 regulamentações ambientais da era Obama, mostra um levantamento do jornal americano The New York Times.

Entre essas mudanças está a que fala em "reescrever" o Plano de Energia Limpa (Clean Power Plan), uma das medidas ambientais mais importantes do governo Obama. O plano determinava a redução de emissões de usinas de energia já existentes nos Estados Unidos. Não está claro como ele será reescrito, exceto que deverá ser norteado pelo princípio de "reduzir a dependência de outros países para energia". O que, no jargão de Trump, deve significar facilidades para extrair carvão e petróleo em solo americano. A outra medida relevante acaba com uma moratória nas concessões de novas áreas para a mineração de carvão em terras públicas americanas. A moratória foi apresentada por Obama no começo de 2016, sob o argumento de que os resultados do programa deveriam ser reavaliados para saber se ainda valia a pena ser custeado pelo contribuinte. Trump não esperou o resultado da avaliação e já tem a resposta. Para ele, vale o contribuinte custear uma operação cara e que danifica o ambiente se isso resultar em empregos para a indústria do carvão.

Separadas, essas medidas podem parecer ter pouco efeito sobre a política climática americana. Porém, elas formam os principais alicerces da tentativa de Obama para reduzir emissões: tirar investimentos das energias fósseis, como no caso da mineração de carvão, e forçar as indústrias já existentes a emitir menos e ser mais eficientes. Sem essas regulações, e sem uma política climática para substituí-las, é provável que os Estados Unidos não consigam reduzir emissões como prometeu Obama. É exatamente isso que Trump quer.

Mais do que as ações de Trump, no entanto, são seus discursos que terão o impacto mais negativo para a política internacional de combate ao aquecimento global. Trump representa um buraco no meio de um acordo que, apesar das críticas, conseguiu colocar todo mundo na mesa de negociação. O Acordo de Paris já foi assinado e ratificado por 147 países, incluindo a China, que só passou a assumir metas após a diplomacia da era Obama, sem falar em União Europeia, Índia, Japão e Brasil. Ao dizer que o acordo é "um mau negócio" para os EUA, Trump prefere se alinhar a Rússia, Turquia e Irã, os três únicos países entre os maiores poluidores que até o momento não ratificaram o Acordo de Paris. 

O problema da política de Trump é que, diferentemente de seu nacionalismo, não há muro na fronteira que impeça os impactos previstos pela mudança nas médias de temperatura do planeta. Segundo o National climate assessment, um relatório feito por 300 cientistas americanos ainda durante a administração Obama, os Estados Unidos já estão enfrentando os efeitos de um clima desregulado. Esses efeitos aparecem, por exemplo, em ondas de calor e mudança nos padrões de tempestades. A situação da Califórnia é um exemplo do que os cientistas esperam de alternância de eventos climáticos extremos. Depois de anos com uma seca severa, o estado foi atingido por tanta chuva e neve (que abastece as represas locais quando derretem) que uma barragem quase se rompeu. Ao mesmo tempo, na outra costa do país, moradores de Nova York vivem quase anualmente com os "vórtices polares", trazendo grandes tempestades de neve, que não eram tão comuns no passado. Segundo a NOAA, agência que monitora oceanos e atmosfera dos EUA, uma possível causa para essas tempestades é o aquecimento global no Ártico – o Polo Norte mais quente que o normal está "empurrando" o frio para latitudes mais baixas. Isso sem falar no risco de aumento da intensidade de furacões. Ou seja, enfrentar as mudanças climáticas, para os Estados Unidos, não deveria ser visto como caridade para outros países. É também do interesse deles.

Trump deixará os EUA vulneráveis a esses impactos, tudo em nome de empregos. Mas não há evidências de que as medidas regulatórias de Obama tenham destruído empregos. Pelo contrário, segundo o Bureau of Labor Statistics, a taxa de desemprego no país é a menor desde a crise financeira de 2008. O que aconteceu foi que os empregos migraram. Um estudo da Environmental Entrepreneurs, uma associação de empresários e investidores para promover a economia limpa, chegou à conclusão que, no ano passado, 2,5 milhões de americanos trabalhavam em empregos relacionados a uma economia limpa. Só a energia solar, por exemplo, emprega 300 mil pessoas. O mercado indica que essa tendência continuará. Carvão e petróleo estão em baixa, nos Estados Unidos, principalmente porque enfrentam a concorrência do gás natural obtido pela técnica fracking. Ao mesmo tempo, as renováveis crescem a passos largos, impulsionadas pelo barateamento da tecnologia de geração de energia limpa. Esse é um cenário criado por forças de mercado, e Trump dificilmente mudará isso, com ou sem regulação. Quem sofre, nesse caso, é só o meio ambiente – e a população.

O presidente americano, seja ele quem for, tem uma responsabilidade com sua população – e com o resto do mundo. Afinal, os EUA ainda são o segundo maior emissor de gases de efeito estufa anualmente, e o maior emissor acumulado. Os impactos que esse CO2 a mais na atmosfera causará será sentido no mundo todo. Ao sair do Acordo de Paris, Trump mostra que não se preocupa com essa responsabilidade e que vai deixar a população de seu país arcar com os impactos que isso pode causar. Os Estados Unidos abandonam a liderança que construíram nas negociações climáticas, deixando um vácuo que provavelmente não será assumido por ninguém. Sem lideranças, o clima internacional pode ficar desgovernado.

Fonte: https://epoca.globo.com/ciencia-e-meio-ambiente/blog-do-planeta/noticia/2017/06/trump-sai-do-acordo-de-paris-ruim-para-o-planeta-pior-para-os-eua.html

TEXTO III

Trump diz ser 'concebível' que EUA retornem ao Acordo de Paris sobre mudanças climáticas

Presidente americano diz não ter nada contra o acordo que deixou, mas que o considera injusto com os americanos, por prejudicar sua competitividade.

Trump concede entrevista coletiva com a primeira-ministra norueguesa nesta quarta-feira (10) (Foto: Reuters/Jonathan Ernst)

O presidente americano, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (10) ser "concebível" que os EUA retornem ao Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, mas destacou que considera o tratado "injusto com os Estados Unidos".

"O Acordo de Paris, da maneira como foi desenhado e da maneira como foi assinado foi muito injusto com os EUA. Ele colocava grandes penalidades para nós e tornou muito difícil fazermos negócios. Ele tirou muitos valor de nossos ativos. Somos um país rico em gás, em petróleo, em carvão, e muitas outras coisas, e havia uma penalidade tremenda em usá-los. Isso atingia nossos negócios", argumentou numa entrevista coletiva com a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg.

Trump diz não ter nada contra Acordo de Paris, mas considera injusto com americanos

Trump diz não ter nada contra Acordo de Paris, mas considera injusto com americanos

"Francamente, é um acordo com o qual não tenho problema, mas eu tinha um problema com o acordo que assinaram, porque, como de costume, fizeram um mau negócio", prosseguiu, referindo-se à gestão de Barack Obama, que foi a que entrou no acordo. "Então, é concebível que nós voltemos a entrar, mas digo o seguinte: somos muito fortes ambientalmente".

"Eu me sinto muito forte em relação ao ambiente. Os integrantes da EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) são muito enfáticos no sentido de que querem ter água limpa, ar limpo, mas também querem negócios que possam competir. E o Acordo de Paris realmente teria tirado nossa competititidade. E eu não deixarei isso acontecer", concluiu.

Donald Trump anunciou em junho do ano passado a saída dos Estados Unidos do acordo sobre o clima. Concluído em dezembro de 2015, o acordo tem por objetivo limitar o aumento das temperaturas globais, reduzindo as emissões de gases causadores de efeito estufa.

Os Estados Unidos foram um dos principais articuladores desse acordo, que a administração Obama ratificou em setembro de 2016. Ao anunciaren a saída do acordo, e com a adesão da Síria, tornaram-se o único país a não aceitá-lo.

Fonte: https://g1.globo.com/natureza/noticia/trump-diz-ser-concebivel-que-eua-retornem-ao-acordo-de-paris-sobre-mudancas-climaticas.ghtml

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