(Modelo IME)
No Texto 1, o narrador-personagem assenta seu discurso sob uma perspectiva marcadamente autocrítica, com ponderações e juízos negativos sobre seus modos de ser, pensar e agir. Assinale o trecho que destoa dessa afirmação.
"Quando o Costa Brito, por causa de duzentos mil-réis que me queria abafar, vomitou os dois artigos, chamou-me doente, aludindo a crimes que me imputam." (linhas 17 a 19)
"Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros." (linhas 21 e 22).
"Os meus desejos percorreriam uma órbita acanhada. Não me atormentariam preocupações excessivas, não ofenderia ninguém." (linhas 28 e 29).
"Os sentimentos e os propósitos esbarraram com a minha brutalidade e o meu egoísmo." (linhas 32 e 33).
"Foi este modo de vida que me inutilizou. Sou um aleijado. Devo ter um coração miúdo, lacunas no cérebro, nervos diferentes dos nervos dos outros homens." (linhas 37 e 38).
Gabarito:
"Quando o Costa Brito, por causa de duzentos mil-réis que me queria abafar, vomitou os dois artigos, chamou-me doente, aludindo a crimes que me imputam." (linhas 17 a 19)
[A]
No trecho presente em A, o narrador comenta um episódio em que outro homem, um jornalista, lhe atribui características negativas. Ele mesmo refuta essas críticas, ao contrastá-las ao oportunismo de Costa Brito. Não há uma autocrítica e os atributos negativos não partem dele mesmo.
Nas demais afirmativas (b, c, d, e), atributos como a brutalidade, o egoísmo, a violência e a insensibilidade são ponderados pelo próprio narrador, numa postura de autoavaliação negativa, frustrada e arrependida — que dá o tom de todo o capítulo. A crítica parte de Paulo Honório sobre si mesmo e sua própria história.