(UEL 2005)
“- Mas a cidade pareceu-nos justa, quando existiam dentro dela três espécies de naturezas, que executavam cada uma a tarefa que lhe era própria; e, por sua vez, temperante, corajosa e sábia, devido a outras disposições e qualidades dessas mesmas espécies.
- É verdade.
- Logo, meu amigo, entenderemos que o indivíduo, que tiver na sua alma estas mesmas espécies, merece bem, devido a essas mesmas qualidades, ser tratado pelos mesmos nomes que a cidade”.
(PLATÃO. A república. Trad. de Maria Helena da Rocha Pereira. 7 ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1993. p. 190.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a justiça em Platão, é correto afirmar:
As pessoas justas agem movidas por interesses ou por benefícios pessoais, havendo a possibilidade de ficarem invisíveis aos olhos dos outros.
A justiça consiste em dar a cada indivíduo aquilo que lhe é de direito, conforme o princípio universal de igualdade entre todos os seres humanos, homens e mulheres.
A verdadeira justiça corresponde ao poder do mais forte, o qual, quando ocupa cargos políticos, faz as leis de acordo com os seus interesses e pune a quem lhe desobedece.
A justiça deve ser vista como uma virtude que tem sua origem na alma, isto é, deve habitar o interior do homem, sendo independente das circunstâncias externas.
Ser justo equivale a pagar dívidas contraídas e restituir aos demais aquilo que se tomou emprestado, atitudes que garantem uma velhice feliz.
Gabarito:
A justiça deve ser vista como uma virtude que tem sua origem na alma, isto é, deve habitar o interior do homem, sendo independente das circunstâncias externas.
D: A questão trata da noção de justiça na filosofia platônica. Segundo Platão, a justiça é uma virtude originada na alma, que existe dentro do homem e independe das condições externas. Em A República, diálogo de Platão, Sócrates conceitua a justiça a partir da alma do homem, que se divide em três partes: razão (a busca pela verdade, a inteligência e o poder reflexivo), coragem (a proteção dos corpos e a arte da guerra) e temperança (os desejos da carne). Toda alma pode ser tripartida, assim como todo homem é racional, corajoso e desejoso em escalas diferentes. A cidade justa, segundo Platão, é quando cada indivíduo, segundo sua aptidão, ocupa seu lugar na pólis; é quando o mais sábio governa, o mais forte compõe o exército e o temperado cuida da vida material da cidade, trabalhando e produzindo. A Callipolis, cidade justa, é aquela divida em três classes: filósofos, guerreiros e artesãos. O homem justo é aquele que exerce sua função e ocupa seu lugar na polis, de acordo com sua aptidão.
A: As pessoas justas não agem movidas por interesses próprios, mas em função da aptidão de sua alma.
B: Platão não acredita em um princípio universal de igualdade entre os seres humanos. A sociedade, para ele, é guiada por uma espécie de meritocracia: seriam as aptidões da alma de cada indivíduo que o guiariam na vida em sociedade e lhe proporcionariam o que é de direito.
C: A justiça é quando o mais forte se encarrega da proteção da pólis, o sábio ocupa cargos políticos e o temperado cuida da vida material da cidade.
E: Platão não fala sobre o pagamento de dívidas ou uma velhice feliz.