(UEL - 2010)
Leia o texto a seguir:
Como determinamos as regras do que é certo ou errado? Immanuel Kant (1724-1804) responde a essa pergunta da seguinte forma: é moralmente correta a ação que está de acordo com determinadas regras do que é certo, independente da felicidade resultante a um ou a todos. Kant não propõe uma lista de regras com conteúdo previamente determinado - como é o caso dos mandamentos religiosos, por exemplo -, mas formula uma regra para averiguar a correção da máxima que orienta nossa ação. Essa regra de averiguação é chamada imperativo categórico [...]
(BORGES, M. de L.; DALL’AGNOL, D.; DUTRA, D. V. O que você precisa saber sobre... Ética. Rio de Janeiro: DP&A, 2002, p.15.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o Imperativo Categórico kantiano, é correto afirmar:
I. Constitui um princípio formal dado pela razão que visa à discriminação das máximas de ação, com a pretensão de verificar quais podem, efetivamente, enquadrar-se numa legislação universal.
II. Representa a capacidade de a razão prática, do ponto de vista a priori, fornecer à vontade humana um dever incondicional com pretensão de universalidade e de necessidade.
III. Compreende um princípio teleológico construído a partir da concepção valorativa do “bem viver” e que se impõe, como condição absoluta, na realização de ações e comportamentos das pessoas em geral.
IV. Abrange a sabedoria prática, como condição inata de o ser humano deliberar e proceder, sempre de forma semelhante em relação às demais pessoas, no quesito das ações que envolvem virtude e prudência.
Assinale a alternativa correta.
Somente as afirmativas I e II são corretas.
Somente as afirmativas II e IV são corretas.
Somente as afirmativas III e IV são corretas.
Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.
Gabarito:
Somente as afirmativas I e II são corretas.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
I. Correta. Constitui um princípio formal dado pela razão que visa à discriminação das máximas de ação, com a pretensão de verificar quais podem, efetivamente, enquadrar-se numa legislação universal.
O Imperativo Categórico age de maneira tal que seja possível desejar que a máxima da ação deva tornar-se lei universal. Para tanto, como é expresso na afirmativa, é necessário visar "à discriminação (no sentido de separar, por à parte) das máximas de ação, com a pretensão de verificar quais podem, efetivamente, enquadrar-se numa legislação universal.".
II. Correta. Representa a capacidade de a razão prática, do ponto de vista a priori, fornecer à vontade humana um dever incondicional com pretensão de universalidade e de necessidade.
O Imperativo Categórico atua de forma a não ser limitado por nenhuma vontade ou necessidade, visto que ele se impõe no sentido de dever: superam-se os interesses e impõe-se o ser moral, sendo este o princípio supremo de toda a moralidade.
III. Incorreta. Compreende um princípio teleológico construído a partir da concepção valorativa do “bem viver” e que se impõe, como condição absoluta, na realização de ações e comportamentos das pessoas em geral.
Não é compreendido com um princípio teleológico, pois um princípio teleológico relaciona-se aos fins, ou seja, aos objetivos. O Imperativo Categórico exclui toda ação baseada em fins, necessidades ou vontades, e sim, compreende-se dentro de uma moralidade deontológica (ser moral é o princípio supremo de toda a moralidade).
IV. Incorreta. Abrange a sabedoria prática, como condição inata de o ser humano deliberar e proceder, sempre de forma semelhante em relação às demais pessoas, no quesito das ações que envolvem virtude e prudência.
O Imperativo Categórico abrange a razão pura prática, sendo este o alarme que se aciona ao observar alguma contradição no campo moral. A sabedoria prática, como a própria afirmativa nos mostra, é "condição inata de o ser humano deliberar e proceder", logo, pensando que o Imperativo Categórico não se trata sobre deliberar e sim saber o que é certo e errado e tomar a decisão correta, a afirmativa não se confirma dentro do conceito.