(UEL - 2010)
Nos Princípios Matemáticos de Filosofia Natural, Newton afirmara que as leis do movimento, assim como a própria lei da gravitação universal, tomadas por ele como proposições particulares, haviam sido “inferidas dos fenômenos, e depois tornadas gerais pela indução”. Kant atribui a estas proposições particulares, enquanto juízos sintéticos, o caráter de leis a priori da natureza. Entretanto, ele recusa esta dedução exclusiva das leis da natureza e consequente generalização a partir dos fenômenos. Destarte, para enfrentar o problema sobre a impossibilidade de derivar da experiência juízos necessários e universais, um dos esforços mais significativos de Kant dirige-se ao esclarecimento das condições de possibilidade dos juízos sintéticos a priori. Com base no enunciado e nos conhecimentos acerca da teoria do conhecimento de Kant, é correto afirmar:
A validade objetiva dos juízos sintéticos a priori depende da estrutura universal e necessária da razão e não da variabilidade individual das experiências.
Os juízos sintéticos a priori enunciam as conexões universais e necessárias entre causas e efeitos dos fenômenos por meio de hábitos psíquicos associativos.
O sujeito do conhecimento é capaz de enunciar objetivamente a realidade em si das coisas por meio dos juízos sintéticos a priori.
Nos juízos sintéticos a priori, de natureza empírica, o predicado nada mais é do que a explicitação do que já esteja pensado realmente no conceito do sujeito.
A possibilidade dos juízos sintéticos a priori nas proposições empíricas fundamenta-se na determinação da percepção imediata e espontânea do objeto sobre a razão.
Gabarito:
A validade objetiva dos juízos sintéticos a priori depende da estrutura universal e necessária da razão e não da variabilidade individual das experiências.
a) Correta. A validade objetiva dos juízos sintéticos a priori depende da estrutura universal e necessária da razão e não da variabilidade individual das experiências.
O mundo é coincidente com a nossa estrutura de apreendê-lo, pois Kant retorna o problema do conhecimento para o sujeito, tomando como o centro do conhecimento. Kant supõe que o que temos é a faculdade racional, as noções de espaço, tempo e as categorias (um inatismo que se opõe ao empirismo), que são uma condição de possibilidade da experiência. Porém, não há conhecimento sem experiência; temos apenas as condições inatas para a experiência, mas o conhecimento do que é possível conhecer só se dá por meio da experiência (vinculando o empirismo). Ou seja, também a experiência não produz a ideia, mas é a ocasião para que a ideia seja formulada pela razão, dando forma à matéria. As noções de espaço e tempo são duas categorias universais intuídas puramente pela razão, como formas puras, e não pela experiência, pois são condições para o entendimento da experiência.
b) Incorreta. Os juízos sintéticos a priori enunciam as conexões universais e necessárias entre causas e efeitos dos fenômenos por meio de hábitos psíquicos associativos.
Na filosofia kantiana não se concebe o conceito de hábitos psíquicos associativos para explicar relações de causas e efeitos. Isso é um ponto de vista do Hume.
c) Incorreta. O sujeito do conhecimento é capaz de enunciar objetivamente a realidade em si das coisas por meio dos juízos sintéticos a priori.
As coisas em si, isto é, a essência, não podem ser conhecidas, assim como a metafísica, pois o ser humano só pode ter acesso aos fenômenos, ao modo como as coisas aparecem, não como elas são em si mesmas, o númeno.
d) Incorreta. Nos juízos sintéticos a priori, de natureza empírica, o predicado nada mais é do que a explicitação do que já esteja pensado realmente no conceito do sujeito.
A alternativa mistura todos os conceitos de Kant. Os juízos sintéticos a priori vinculam experiênca e razão. A noção de que o predicado nada mais é do que a explicitação do que já esteja pensado realmente no conceito do sujeito demonstra os juízos analíticos a priori.
e) Incorreta. A possibilidade dos juízos sintéticos a priori nas proposições empíricas fundamenta-se na determinação da percepção imediata e espontânea do objeto sobre a razão.
Não há percepção percepção imediata e espontânea do objeto sobre a razão, mas uma mediação crítica do sujeito, que é central para o conhecimento.