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Questão 15171

UEL 2011
Filosofia

(UEL - 2011)

Leia o texto a seguir.

Na Primeira Secção da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant analisa dois conceitos fundamentais de sua teoria moral: o conceito de vontade boa e o de imperativo categórico. Esses dois conceitos traduzem as duas condições básicas do dever: o seu aspecto objetivo, a lei moral, e o seu aspecto subjetivo, o acatamento da lei pela subjetividade livre, como condição necessária e suficiente da ação.

(DUTRA, D. V. Kant e Habermas: a reformulação discursiva da moral kantiana. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. p. 29.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria moral kantiana, é correto afirmar:

A

A vontade boa, enquanto condição do dever, consiste em respeitar a lei moral, tendo como motivo da ação a simples conformidade à lei.

B

O imperativo categórico incorre na contingência de um querer arbitrário cuja intencionalidade determina subjetivamente o valor moral da ação.

C

Para que possa ser qualificada do ponto de vista moral, uma ação deve ter como condição necessária e suficiente uma vontade condicionada por interesses e inclinações sensíveis.

D

A razão é capaz de guiar a vontade como meio para a satisfação de todas as necessidades e assim realizar seu verdadeiro destino prático: a felicidade.

E

A razão, quando se torna livre das condições subjetivas que a coagem, é, em si, necessariamente conforme a vontade e somente por ela suficientemente determinada.

Gabarito:

A vontade boa, enquanto condição do dever, consiste em respeitar a lei moral, tendo como motivo da ação a simples conformidade à lei.



Resolução:

a) Correta. A vontade boa, enquanto condição do dever, consiste em respeitar a lei moral, tendo como motivo da ação a simples conformidade à lei.
O imperativo categórico kantiano é a postura moral em que o indivíduo age bem, ou seja, em conformidade com o bem comum, na expectativa de que o restante da sociedade aja de forma semelhante. O conceito de vontade boa se relaciona ao tipo de ação indicada por Kant, na qual se atua em busca do bem, sem desejar nada em troca; é uma ação boa em si mesma. 
Nesse sentido, é possível afirmar que a vontade boa, ou seja, agir procurando o bem sem buscar algo em troca, é uma condição do dever e está de acordo com a lei moral, uma vez que se relaciona ao coletivo e não ao individual. O motivo da ação de boa vontade é, simplesmente, a conformidade com a lei moral.

 

b) Incorreta. O imperativo categórico incorre na contingência de um querer arbitrário cuja intencionalidade determina subjetivamente o valor moral da ação.
O imperativo categórico não é dado por um querer arbitrário subjetivo, mas sim pela conduta em sociedade.

c) Incorreta. Para que possa ser qualificada do ponto de vista moral, uma ação deve ter como condição necessária e suficiente uma vontade condicionada por interesses e inclinações sensíveis.
Para ser qualificada do ponto de vista moral, uma ação deve corresponder à expectativa de bem coletivo e vontade coletiva, não bastando ser sensível se estiver voltada somente para interesses e inclinações individuais.

d) Incorreta. A razão é capaz de guiar a vontade como meio para a satisfação de todas as necessidades e assim realizar seu verdadeiro destino prático: a felicidade.
Não se pode afirmar que a felicidade é o "verdadeiro destino prático" da razão. 

e) Incorreta. A razão, quando se torna livre das condições subjetivas que a coagem, é, em si, necessariamente conforme a vontade e somente por ela suficientemente determinada.
Se está livre das condições subjetivas que a coagem, a razão não pode ser conforme e determinada pela vontade, pois esta é subjetiva. A razão livre da coerção das condições subjetivas vai ao encontro dos interesses coletivos e age conforme eles. 

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