(UEM - 2019 - Adaptada)
“muitas vezes lamentamos as nossas ações e que, frequentemente, quando somos dominados por afecções contrárias, vemos o melhor e fazemos o pior, nada os impediria de crer que todas as nossas ações são livres. [...] Um homem embriagado julga também que é por uma livre decisão da alma que conta aquilo que, mais tarde, em estado de sobriedade, preferiria ter calado.”
(ESPINOSA, B. Ética III. Trad. Joaquim de Carvalho et al. São Paulo: Abril Cultural, 1983, p. 179).
Acerca da compreensão da liberdade para Espinosa, assinale o que for correto com V e o que for incorreto com F:
I. Espinosa se contrapõe à ideia de um ato completamente gratuito.
II. Ser livre para Espinosa é ser causa adequada de seus atos.
III. O espinosismo, assim como o historicismo, oferece-nos um meio de converter a liberdade em necessidade inelutável.
IV. O livre-arbítrio para Espinosa é o poder que temos de escolher.
V. É livre o homem que atua pela única necessidade de sua natureza.
F, F, V, F, V
V, F, V, F, V
V, V, F, F, V
F, V, V, F, V
V, V, V, F, V
Gabarito:
V, V, V, F, V
e) V, V, V, F, V
I. Verdadeira. Espinosa se contrapõe à ideia de um ato completamente gratuito.
Espinosa se opõe a uma ideia de um ato completamente gratuito, pois compreende que os atos humanos estão limitados a uma cadeia de reações, a uma relação de causa e efeito que impede o ato plenamente livre, possibilitado pela gratuidade da situação, isto é, sem ser resposta a algo.
II. Verdadeira. Ser livre para Espinosa é ser causa adequada de seus atos.
A liberdade, em Espinosa, é o ato de cumprir ou atingir a natureza de algo, na medida em que ela aponta para a necessidade de ser o que se é. Enquanto o ser humano não atinge a sua natureza, ele permanece escravo de seus afetos, o que possibilita a experiência da servidão humana. Ou seja, a liberdade é ser causa adequada de seus atos.
III. Verdadeira. O espinosismo, assim como o historicismo, oferece-nos um meio de converter a liberdade em necessidade inelutável.
No caso do espinosismo, a necessidade é convertida na natureza, pois é compreendida como o cumprimento da realidade natural.
IV. Falsa. O livre-arbítrio para Espinosa é o poder que temos de escolher.
Não há livre-arbítrio em Espinosa, pois ou o ser humano é escravo de suas afecções ou a sua liberdade é vivida como cumprimento de sua natureza.
V. Verdadeira. É livre o homem que atua pela única necessidade de sua natureza.
O monismo de Espinosa designa uma filosofia que vincula liberdade e natureza, em que até as contingências são determinadas pela natureza. Portanto, a liberdade não é compreendida em termos negativos, como possibilidade; ela é o cumprimento da natureza de algo, e, ao ser humano, está relacionada ao exercício da razão sem os ditames das paixões da alma.