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Questão 40621

UFU 2018
Filosofia

(UFU - 2018 - 1a FASE)

  Considere o seguinte trecho, extraído da obra A náusea, do escritor e filósofo francês Jean Paul Sartre (1889-1980).  

  “O essencial é a contingência. O que quero dizer é que, por definição, a existência não é a necessidade. Existir é simplesmente estar presente; os entes aparecem, deixam que os encontremos, mas nunca podemos deduzi-los. Creio que há pessoas que compreenderam isso. Só que tentaram superar essa contingência inventando um ser necessário e causa de si próprio. Ora, nenhum ser necessário pode explicar a existência: a contingência não é uma ilusão, uma aparência que se pode dissipar; é o absoluto, por conseguinte, a gratuidade perfeita.”

SARTRE, Jean Paul. A Náusea. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986. Tradução de Rita Braga, citado por: MARCONDES, Danilo Marcondes. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000.

 

Nesse trecho, vemos uma exemplificação ou uma referência ao existencialismo sartriano que se apresenta como 

A

recusa da noção de que tudo é contingente.

B

fundamentado no conceito de angústia, que deriva da consciência de que tudo é contingente. 

C

denúncia da noção de má fé, que nos leva a admitir a existência de um ser necessário para aplacar o sentimento de angústia. 

D

crítica à metafísica essencialista. 

Gabarito:

crítica à metafísica essencialista. 



Resolução:

A afirmação de que a "a existência precede a essência" (ou, ainda, de que "a essência do homem está na sua existência") é interpretada na filosofia sartreana como um acidentalismo, um construtivismo, através da ação objetiva, da essência, que é sempre incompleta e esboçada. Para Sartre, a essência do homem não existe a priori, mas nasce da ação. 

D: A metafísica essencialista apresenta uma interpretação do mundo e da natureza fundamentada na noção de essência: estuda a existência do ser buscando o conhecimento da essência das coisas, afirmando a "forma fundamental" dos entes e fenômenos como anterior à existência.

 

A: Sartre afirma que a contingência é o essencial, ou seja, a essência é incerteza, dúvida, possibilidade. O autor critica a tentativa de superar esta contingência por meio da criação de um ser necessário e causa de si próprio, que indica uma essência dada, predefinida, que constitui a existência.

B, C: O trecho não trata das noções de angústia ou má-fé.

 

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