(UNESP - 2011/2 - 2ª FASE)
TEXTO 1
Por isso também nós, desde o dia em que soubemos, não cessamos de rezar por vós e pedir a Deus que vos conceda pleno conhecimento de sua vontade, perfeita sabedoria e inteligência espiritual, a fim de vos comportardes de maneira digna do Senhor, procurando agradar-lhe em tudo, dando fruto de toda obra boa e crescendo no conhecimento de Deus, animados de grande energia pelo poder de sua glória para toda a paciência e longanimidade. Com alegria, agradecemos a Deus Pai, que vos tornou capazes de participar da herança dos santos no reino da Luz. Que nos livrou do poder das trevas e transportou ao reino do seu Filho amado, no qual temos a redenção: a remissão dos pecados.
(Bíblia Sagrada. Epístola aos Colossenses 1, 9-14, texto escrito no século I.)
TEXTO 2
Olhe ao redor deste universo. Que imensa profusão de seres, animados e organizados, sensíveis e ativos! Examine, porém, um pouco mais de perto essas criaturas dotadas de vida, os únicos seres dignos de consideração. Que hostilidade e destrutividade entre eles! Quão incapazes, todos, de garantir a própria felicidade! Quão odiosos ou desprezíveis aos olhos de quem os contempla! O conjunto de tudo isso nada nos oferece a não ser a ideia de uma natureza cega, que despeja de seu colo, sem discernimento ou cuidado materno, sua prole desfigurada e abortiva.
(David Hume. Diálogos sobre a religião natural, texto escrito em 1779. Adaptado.)
Compare ambos os textos e comente uma diferença entre eles no que diz respeito à concepção de natureza humana e uma diferença referente à concepção de moralidade.
Gabarito:
Resolução:
O primeiro texto, referente a uma Epístola de Paulo do Novo Testamento, um material que integra a Bíblia, demonstra uma concepção teológica e divina do Universo, caracterizado por uma estrutura moral e com um sentido, relacionados a um Deus pessoal. A narrativa cristã compreende a realidade a partir da Criação/Queda/Redenção, em um sentido de que o homem é criatura divina, criada para tais propósitos, porém ele caiu, a partir do pecado original, e, num último estágio, é resgatado e redimido pela mensagem de Cristo que traz um sentido moral à existência e vincula os seres humanos novamente a Deus.
O segundo texto, do filósofo empirista David Hume, traz uma concepção naturalista, sem vínculo com o sobrenatural ou qualquer realidade metafísica, que relaciona o homem uma natureza caótica e desordenada pela presença do caos na vida natural, cuja base moral está fundamentada no sentimentalismo. Portanto, não há regras morais absolutas e abstratas, mas pragmáticas e contextuais, relacionadas às circunstâncias históricas e interesses individuais.