(UNESP - 2012 - 2ª fase)
“O homem é o lobo do homem” é uma das frases mais repetidas por aqueles que se referem a Hobbes. Essa máxima aparece coroada por uma outra, menos citada, mas igualmente importante: “guerra de todos contra todos”. Ambas são fundamentais como síntese do que Hobbes pensa a respeito do estado natural em que vivem os homens. O estado de natureza é o modo de ser que caracterizaria o homem antes de seu ingresso no estado social. O altruísmo não seria, portanto, natural. No estado de natureza o recurso à violência generaliza-se, cada qual elaborando novos meios de destruição do próximo, com o que a vida se torna “solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta, na qual cada um é lobo para o outro, em guerra de todos contra todos”. Os homens não vivem em cooperação natural, como fazem as abelhas e as formigas. O acordo entre elas é natural; entre os homens, só pode ser artificial. Nesse sentido, os homens são levados a estabelecer contratos entre si. Para o autor do Leviatã, o contrato é estabelecido unicamente entre os membros do grupo, que, entre si, concordam em renunciar a seu direito a tudo para entregá-lo a um soberano capaz de promover a paz. Não submetido a nenhuma lei, o soberano absoluto é a própria fonte legisladora. A obediência a ele deve ser total.
(João Paulo Monteiro. Os Pensadores, 2000.)
Caracterize a diferença entre estado de natureza e vida social, segundo o texto, e explique por que a é atribuída a Hobbes a concepção política de um “absolutismo sem teologia”.
Gabarito:
Resolução:
Hobbes possui uma visão negativa do estado do ser humano. O estado de natureza, para o autor, é concebido a partir do egoísmo, sendo o ser humano mau por natureza; o homem é o lobo do homem. Por isso, são todos, no estado de natureza, inimigos uns dos outros, sem a possibilidade de qualquer associação ou sociedade, o que gera, constantemente, insegurança, angústia e medo quanto à própria vida e sobrevivência.
A vida social só é possível a partir de um poder comum para punir o mal, que garanta a ordem social. A instituição do estado civil ocorre com a abdicação de seus direitos naturais em favor do soberano, cujo poder é ilimitado e irrevogável; esse movimento ocorre pela lei natural da razão, por meio da qual o homem esforça-se pela paz, abdicando-se de seu direito natural, sob a condição de que os outros também façam o mesmo. Porém, sem um poder comum que mantenha a todos em respeito, esse contrato pode ser facilmente rompido.
Dessa forma, Hobbes fundamenta o absolutismo não com base numa justificação divina, pela autoridade de Deus, como eram os poderes monárquicos anteriores, mas com base numa investigação mecanicista da realidade, na política.