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Questão 10

UNESP 2013
Filosofia

(UNESP - 2013 - 2a fase - Questão 10)

Preguiça e covardia são as causas que explicam por que uma grande parte dos seres humanos, mesmo muito após a natureza tê-los declarado livres da orientação alheia, ainda permanecem, com gosto, e por toda a vida, na condição de menoridade. É tão confortável ser menor! Tenho à disposição um livro que entende por mim, um pastor que tem consciência por mim, um médico que prescreve uma dieta etc.: então não preciso me esforçar. A maioria da humanidade vê como muito perigoso, além de bastante difícil, o passo a ser dado rumo à maioridade, uma vez que tutores já tomaram para si de bom grado a sua supervisão. Após terem previamente embrutecido e cuidadosamente protegido seu gado, para que estas pacatas criaturas não ousem dar qualquer passo fora dos trilhos nos quais devem andar, os tutores lhes mostram o perigo que as ameaça caso queiram andar por conta própria. Tal perigo, porém, não é assim tão grande, pois, após algumas quedas, aprenderiam finalmente a andar; basta, entretanto, o perigo de um tombo para intimidá-las e aterrorizá-las por completo para que não façam novas tentativas.

(Immanuel Kant, apud Danilo Marcondes. Textos básicos de ética – de Platão a Foucault, 2009. Adaptado.)

 

O texto refere-se à resposta dada pelo filósofo Kant à pergunta sobre “O que é o Iluminismo?”. Explique o significado da oposição por ele estabelecida entre “menoridade” e “autonomia intelectual”.

Gabarito:

Resolução:

 

Imannuel Kant, em "Reposta à pergunta: o que é o Iluminismo?", busca conceituar o iluminismo, o qual pode ser traduzido também por esclarecimento, texto no qual se estabelece a diferença entre o homem no estado de menoridade e aquele no estado de maioridade. A menoridade, cujo responsável é o próprio homem, define-se pela incapacidade deste em utilizar-se de sua própria faculdade racional, por covardia e preguiça, transferindo essa responsabilidade de decisão para tutores, como médicos ou pastores. Esse estado apresenta um conforto, já que, nele, o indivíduo transfere também a responsabilidade de seus atos, perdendo a sua liberdade intelectual. O estado de maioridade, no esclarecimento, como o do homem que tem posse de autonomia intelectual, é justamente onde ele assume responsabilidade por si próprio e liberdade intelectual, e é a essa passagem que Kant exorta aos homens, sob a ousadia humana e sua libertação de qualquer mentoria, para que o homem guie-se por seu próprio entendimento, sem imposição de externos.

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