(UNESP - 2013/2)
Texto 1
Um consumidor de 34 anos aproveitou a carona do pai no bairro Tucuruvi, Zona Norte de São Paulo, na manhã desta quinta-feira [13.12.12], para chegar antes na fila pelo lançamento do iPhone 5, em um shopping da Zona Oeste. Por volta das 17h, cerca de 50 pessoas já formavam uma fila em frente à loja responsável. Ele chegou com a mãe, de 65 anos, às 7h30, 16 horas antes do início das vendas daquele smartphone.
(http://g1.globo.com. Adaptado.)
Texto 2
Os produtos de consumo doutrinam e manipulam; promovem uma falsa consciência que é imune à sua falsidade. As falsas necessidades têm um conteúdo e uma função sociais determinados por forças externas sobre as quais o indivíduo não tem controle algum; o desenvolvimento e a satisfação dessas necessidades são heterônomos. Independentemente do quanto tais necessidades se possam ter tornado do próprio indivíduo; reproduzidas e fortalecidas pelas condições de sua existência; independentemente do quanto ele se identifique com elas e se encontre em sua satisfação, elas continuam a ser o que eram de início – produtos de uma sociedade cujo interesse dominante exige repressão.
(Herbert Marcuse. Ideologia da sociedade industrial, 1969. Adaptado.)
Explique o significado da heteronomia das falsas necessidades na sociedade de consumo e relacione o fato descrito no texto 1 a esse conceito filosófico apresentado por Marcuse.
Gabarito:
Resolução:
A heteronomia corresponde à determinação do indivíduo por leis que são alheias e externas a ele. Ela se opõe à autonomia. Em uma sociedade de consumo, as necessidades não advêm da consciência do indivíduo, mas de uma norma a ele imposta, que o impele a comprar. No caso descrito no texto 1, o celular se torna um objeto de desejo, digno de sacrifício. Essa pode ser considerada a expressão da alienação em uma sociedade capitalista, segundo certas análises de origem marxista.