(UNESP - 2014 - 1ª FASE) A questão aborda um poema de Raul de Leoni (1895-1926).
A alma das cousas somos nós...
Dentro do eterno giro universal
Das cousas, tudo vai e volta à alma da gente,
Mas, se nesse vaivém tudo parece igual
Nada mais, na verdade
(5) Nunca mais se repete exatamente...
Sim, as cousas são sempre as mesmas na corrente
Que no-las leva e traz, num círculo fatal;
O que varia é o espírito que as sente
Que é imperceptivelmente desigual,
(10) Que sempre as vive diferentemente,
E, assim, a vida é sempre inédita, afinal...
Estado de alma em fuga pelas horas,
Tons esquivos e trêmulos, nuanças
Suscetíveis, sutis, que fogem no Íris
(15) Da sensibilidade furta-cor...
E a nossa alma é a expressão fugitiva das cousas
E a vida somos nós, que sempre somos outros!...
Homem inquieto e vão que não repousas!
Para e escuta:
(20) Se as cousas têm espírito, nós somos
Esse espírito efêmero das cousas,
Volúvel e diverso,
Variando, instante a instante, intimamente,
E eternamente,
(25) Dentro da indiferença do Universo!...
(Luz mediterrânea, 1965.)
No último verso do poema, o eu lírico conclui que
os espíritos mostram-se insensíveis ao volúvel Universo.
o Universo acompanha de perto a alma ou espírito.
o Universo é indiferente à relação entre o espírito e as coisas.
a variação das coisas é indiferente ao espírito que as sente.
as coisas têm espírito, mas o Universo não tem.
Gabarito:
o Universo é indiferente à relação entre o espírito e as coisas.
A) INCORRETA: não é aos espíritos efêmeros que é atribuída a ideia de "indiferência", conforme diz a alternativa, mas sim ao Universo, que se mostra um portador de indiferenças na poesia.
B) INCORRETA: nos últimos versos, não há nenhum indicativo de que o Universo tem uma proximidade com os espíritos ou a alma, mas sim só temos a informação de que esses estão dentro do Universo, sem aparente relação com ele.
C) CORRETA: pois essa é a exata informação que observamos na poesia, da indiferença do Universo e do fato de que as coisas possuem espírito, mesmo que efêmeros e que há uma relação de que essa indiferença do Universo se dá para esses espíritos.
D) INCORRETA: não é a variação das coisas que se mostra indiferente, mas essa relação de indiferença é atribuída ao Universo enquanto o espírito efêmero das coisas, que é variável, se encontra dentro desse Universo.
E) INCORRETA: não há nenhuma informação na poesia que nos mostre que o Universo é sem espírito, mas que apenas ele é indiferente. É possível dizer que pessoas e seres possuem espíritos, mas são indiferentes, a não ser que seja deixado bem claro na informação que não há esse espírito.