(UNESP - 2016/2 - 2 FASE)
Texto 1
Se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo que é impossível ela ser gozada por ambos, eles tornam-se inimigos. E no caminho para seu fim (que é princi palmente sua própria conservação, e às vezes apenas seu deleite) esforçam-se por se destruir ou subjugar um ao outro. E disto se segue que, quando um invasor nada mais tem a recear do que o poder de um único outro homem, se alguém planta, semeia, constrói ou possui um lugar conveniente, é provável de esperar que outros venham preparados com forças conjugadas, para desapossá-lo e privá-lo, não apenas do fruto de seu trabalho, mas também de sua vida e de sua liberdade. Por sua vez, o invasor ficará no mesmo perigo em relação aos outros.
(Thomas Hobbes. Leviatã [publicado originalmente em 1651], 1999. Adaptado.)
Texto 2
Anarquismo é a doutrina segundo a qual o indivíduo é a única realidade, que deve ser absolutamente livre e que qualquer restrição que lhe seja imposta é ilegítima. Costuma-se atribuir a Proudhon (1809-1865) o nasci - mento do Anarquismo. Sua principal preocupação foi mostrar que a justiça não pode ser imposta ao indivíduo, mas é uma faculdade do eu individual que, sem sair do seu foro interior, sente a dignidade da pessoa do próximo como a sua própria e, portanto, adapta-se à realidade coletiva mesmo conservando a sua individualidade.
(Nicola Abbagnano. Dicionário de Filosofia, 2000. Adaptado.)
Qual foi a solução proposta por Hobbes para a resolução do problema exposto no texto 1? Explique a principal diferença entre Hobbes e a doutrina anarquista de Proudhon quanto à organização política.
Gabarito:
Resolução:
Para Hobbes, o problema que se coloca é a impossibilidade da sociedade e das relações sociais diante do estado natural do ser humano como egoísta, o lobo do homem. Nesse estado, o homem é naturalmente impelido por suas paixões para o domínio e a posse do outro, sobre o qual ele possui um direito natural. A solução hobbesiana é, por meio da lei natural da razão, o estabelecimento de um contrato social regido por um poder absoluto e soberano, capaz de estabelecer a prática do contrato e impor medo aos cidadãos tendo como fim o cumprimento da lei.
O anarquismo de Proudhon dista-se totalmente das noções de Hobbes, pois já prevê o fim do estado ou de um poder central regulador. Enquanto que, em Hobbes, a justiça funciona como um dispositivo externo, que se impõe ao indivíduo, Proudhon compreende que a justiça é uma faculdade interna do eu e, por isso, não pode ser imposta ao indivíduo. Essa noção ocasiona que, para o anarquista, o ser humano possui um instinto solidário e não egoísta, como pensa Hobbes, ideia que deslegitima a necessidade do estado para inibir o egoísmo natural humano.