(UNESP - 2016/2 - 2 FASE)
Texto 1
Diversamente do idealismo, o positivismo reivindica o primado da ciência: nós conhecemos somente aquilo que as ciências nos dão a conhecer, pois o único método de conhecimento é o das ciências naturais. O positivismo não apenas afirma a unidade do método científico e o primado desse método como instrumento de conhecimento, mas também exalta a ciência como o único meio em condições de resolver, ao longo do tempo, todos os problemas humanos e sociais que até então haviam atormentado a humanidade.
(Giovanni Reale e Dario Antiseri. História da Filosofia, vol. 3, 1999. Adaptado.)
Texto 2
Basta, portanto, que os homens sejam considerados coisas para que se tornem manipuláveis, submetidos à ditadura racionalizada moderna que encontra seu apogeu no campo de concentração. Assim, a nova crise da razão é interna e traz subitamente à luz, no cerne da racionalização, a presença destrutiva da desrazão. Já não é apenas a suficiência e a insuficiência da razão que estão em causa, é a irracionalidade do racionalismo e da racionalização. Essa irracionalidade pode devorar a razão sem que ela se dê conta.
(Edgar Morin. Ciência com consciência, 1996. Adaptado.)
Considerando a análise realizada por Edgar Morin sobre as tendências irracionais da razão, explique sua importância para uma crítica ao otimismo positivista diante da ciência
Gabarito:
Resolução:
Como demonstra o primeiro texto, o positivismo, ao longo da história da filosofia, surgiu como um movimento filosófico que enfatizava o poder da ciência no que tange ao progresso histórico e social, submetendo o conhecimento aos métodos das ciências naturais. Assim, competia à ciência determinar a evolução humana em direção a uma sociedade melhor. As guerras mundiais e as catástrofes de origem humana no século XX marcam a crise do homem com a capacidade das ciências em realizar o progresso humano, pois, a partir do olhar científico, sob a relação "sujeito X objeto" e o conhecimento como a consciência das causas e efeitos, o homem submete o próprio homem a essa perspectiva cientificista, concebendo-o como manipulável pelas técnicas científicas. A crítica ao positivismo demonstra a importância de se discutir eticamente as questões científicas, o que pressupõe uma atividade filosófica acerca da consciência crítica e dos valores morais necessários para o exercício ético da ciência, prescrevendo os limites do campo.