(UNESP - 2016 - 1a fase)
A escola que se autointitula a primeira colocada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ocupa, ao mesmo tempo, a 1ª e a 569ª posição no ranking que a imprensa faz com os resultados do Enem. A escola separou numa sala diferente os alunos que acertavam mais questões em suas provas internas. Trouxe, inclusive, alguns alunos de suas franquias pela Grande São Paulo. E “criou” uma outra escola (abriu outro CNPJ), mesmo estando no mesmo espaço físico. E de lá pra cá esta ‘outra escola’ todo ano é a primeira colocada no Enem. A 569ª posição é a que melhor reflete as condições da escola. O 1º lugar é uma farsa. A primeira colocada no Enem NÃO é uma escola, é uma artimanha jurídica que faz com que os alunos tenham suas notas computadas em duas listas diferentes. Todos estudam no mesmo prédio, com os mesmos professores, com o mesmo material, no mesmo horário, convivendo no mesmo pátio e no mesmo horário de intervalo. No Brasil todo temos centenas de escolas que trabalham com a regra na mão para tentar parecer que são a melhor e depois divulgar, em suas propagandas, que são a melhor escola do país, do estado, da região, da cidade e, em cidades grandes, como várias capitais, até mesmo que é a melhor escola de um determinado bairro.
(Mateus Prado. “Escola campeã do Enem ocupa, ao mesmo tempo, o 1º e o 569º lugar do ranking”. O Estado de S.Paulo, 26.12.2014. Adaptado.)
O fato relatado pode ser explicado em função da
hegemonia dos critérios instrumentais da empresa capitalista em alguns setores da educação.
falência da meritocracia como critério de acesso ao ensino superior na sociedade atual.
priorização de aspectos humanísticos, em detrimento da preparação para o mercado de trabalho.
resistência dos educadores à transformação da escola em instrumento de reprodução ideológica.
separação rigorosa entre os âmbitos da educação e da publicidade na sociedade capitalista.
Gabarito:
hegemonia dos critérios instrumentais da empresa capitalista em alguns setores da educação.
a) Correta. hegemonia dos critérios instrumentais da empresa capitalista em alguns setores da educação.
A escola, ao colocar os alunos com melhor desempenho em provas numa mesma sala — a fim de garantir seu bom posicionamento no ranking de aprovações — o faz com objetivos instrumentais direcionados pela ideologia de uma empresa capitalista: visando publicidade positiva, ou seja, o lucro.
b) Incorreta. falência da meritocracia como critério de acesso ao ensino superior na sociedade atual.
O fato relatado pelo texto da questão não é explicado pela falência da meritocracia como critério, e sim pela dinâmica capitalista interferindo em diversos setores da sociedade, incluindo a educação. O processo meritocrático de ingresso no ensino superior consiste em outra problemática, pois o fato discutido pela questão não representa uma interferência direta nesse aspecto, e sim uma incompetência dos métodos classificatórios das escolas em termos de aprovação no Enem.
c) Incorreta. priorização de aspectos humanísticos, em detrimento da preparação para o mercado de trabalho.
Se apresentasse priorização desses aspectos, o problema não se trataria de uma instrumentalização do aprendizado para fins capitalistas, visto isso que deturpa os aspectos humanísticos.
d) Incorreta. resistência dos educadores à transformação da escola em instrumento de reprodução ideológica.
Na realidade, a escola em questão representa a transformação desse espaço em instrumento de reprodução ideológica, porque esta foi organizada e operada em função dos ideais capitalistas: criou-se outro CPNJ e outra sala com um grupo selecionado de alunos, numa manipulação de dados visando o lucro.
e) Incorreta. separação rigorosa entre os âmbitos da educação e da publicidade na sociedade capitalista.
Pelo contrário, o problema apresentado pelo texto mostra uma falta de fronteiras entre os dois âmbitos, dado que a escola se reorganizou em função da manutenção de sua publicidade, algo pautado pelas prioridades da ideologia capitalista.