(UNESP - 2016/2 - 1a fase)
O feminismo não é uma ideologia no sentido positivo de conjunto de ideias, muito menos é uma ideologia no sentido negativo de “falsa consciência” que serviria para acobertar a disputa de poder entre homens e mulheres. O feminismo não é uma inversão ideológica. Não é uma inversão do poder. Uma inversão pressuporia sua manutenção. Em outras palavras, o feminismo não é uma manutenção do poder patriarcal com roupagem nova ou invertida que se alcança por uma ideologia de puro oposicionismo. É preciso tirá-lo do clima puramente acadêmico, do clima de qualquer pureza, branca, de classe média ou alta, de corpos autorizados, de crenças em identidades estanques e propostas como naturais pelo sistema da razão que administra a não-identidade evitando que ela floresça.
(Marcia Tiburi. “O que é feminismo?”. http://revistacult.uol.com.br. Adaptado.)
De acordo com o texto, é correto afirmar que o feminismo
é um movimento político restrito a manifestações estéticas.
sustenta pressupostos metafísicos baseados em essências absolutas.
opõe-se à ideologia e ao poder baseando-se em noções científicas
apoia-se em um conjunto de valores eurocêntricos e patriarcais.
manifesta-se favoravelmente a singularidades no campo do gênero.
Gabarito:
manifesta-se favoravelmente a singularidades no campo do gênero.
A) Incorreto. O texto não afirma em momento algum que o feminismo restringe-se a manifestações estéticas.
B) Incorreto. O feminismo não apresenta supostos metafísicos e muito menos os sustenta em essências absolutas, trata-se de uma discussão que teve seu início na filosofia existencialista e parte de pressupostos reais e materiais. O texto não comenta isso em momento algum.
C) Incorreto. O texto afirma que "O feminismo não é uma inversão ideológica. Não é uma inversão do poder.".
D) Incorreto. O feminismo atualmente adquire diversas vertentes, mas apoiar-se no patriarcado definitivamente não é uma de seus pilares.
E) Incorreto. O trecho que nos permite identificar essa singularidade no campo de gênero está em "É preciso tirá-lo do clima puramente acadêmico, do clima de qualquer pureza, branca, de classe média ou alta, de corpos autorizados, de crenças em identidades estanques...", pois neste trecho a autora demonstra que o feminismo não tem uma "cara", mas sim, é um movimento político que abarca todas as identidades e singularidades femininas.