(UNESP - 2018 - 1ª FASE)
A poesia dos antigos era a da posse, a dos novos é a da saudade (e anseio); aquela se ergue, firme, no chão do presente; esta oscila entre recordação e pressentimento. O ideal grego era a concórdia e o equilíbrio perfeitos de todas as forças; a harmonia natural. Os novos, porém, adquiriram a consciência da fragmentação interna que torna impossível este ideal; por isso, a sua poesia aspira a reconciliar os dois mundos em que se sentem divididos, o espiritual e o sensível, fundindo-os de um modo indissolúvel. Os antigos solucionam a sua tarefa, chegando à perfeição; os novos só pela aproximação podem satisfazer o seu anseio do infinito.
(August Schlegel apud Anatol Rosenfeld. Texto/Contexto I, 1996. Adaptado.)
Os “novos” a que se refere o escritor alemão August Schlegel são os poetas
românticos.
modernistas.
árcades.
clássicos.
naturalistas.
Gabarito:
românticos.
[A]
O Romantismo foi marcado por não seguir modelos ou regras clássicas, isso pode ser comprovando quando há uma comparação entre a "poesia dos antigos" (antes do Romantismo) e os "novos" (românticos).
Ao mencionar a "a consciência da fragmentação interna", o crítico alemão aponta para a questão da subjetividade romântica, que contrasta com a racionalidade pré-romântica. O mundo e o sujeito se constituem, poeticamente, a partir de uma experiência fragmentada que, mesmo diante das tentativas de unidade, mostra-se insuficiente para atingir a perfeição. O sofrimento e angústia emergem,então, como descreve Schlegel, na consciência dos românticos.