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Questão 55

UNESP 2019
Sociologia

(UNESP - 2019 - 1 FASE )

Texto 1
 

Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma, podes entrar no parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Há infinitas carreiras diante de ti. […] Nenhum [ofício] me parece mais útil e cabido que o de medalhão. […] Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. […] No entanto, podendo acontecer que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias, urge aparelhar fortemente o espírito. […] Em todo caso, não transcendas nunca os limites de uma invejável vulgaridade.
(Machado de Assis. Teoria do medalhão. www.dominiopublico.gov.br.)

Texto 2


De fato, existem medalhões em todos os domínios da vida social brasileira: na favela e no Congresso; na arte e na política; na universidade e no futebol; entre policiais e ladrões. São as pessoas que podem ser chamadas de “homens”, “cobras”, “figuras”, “personagens” etc. […] Medalhões são frequentemente figuras nacionais. […] Ser o filho do Presidente, do Delegado, do Diretor conta como cartão de visitas.
(Roberto da Matta. Carnavais, malandros e heróis, 1983.)

Tanto no texto do escritor Machado de Assis como no do antropólogo Roberto da Matta, a figura do medalhão

A

corresponde a um fenômeno cultural recente e desvinculado do clientelismo.

B

tem sua existência fundamentada em ideais liberais e democráticos de cidadania.

C

consiste em um tipo social exclusivamente pertencente às elites burguesas.

D

apresenta sucesso social fundamentado na competência acadêmica e intelectual.

E

ilustra o caráter fortemente hierarquizado e personalista da sociedade brasileira.

Gabarito:

ilustra o caráter fortemente hierarquizado e personalista da sociedade brasileira.



Resolução:

Questão em modelo clássico da Vunesp. Os textos tratam de um tema em comum que é a noção de medalhão. Aqui, “medalhão” aparece com o significado de indivíduo importante, mas de pouca ação, como é o filho do presidente ou a pessoa de mentalidade mais limitada. É uma posição de prestígio e também de adorno. Quando se pensa isso em nosso contexto, percebemos que a alternativa E é a que melhor se encaixa, pois ela trata das relações que essa figura terá em relação às posições de poder. Isto deriva do caráter pouco burocrático e muito personalista das relações sociais brasileiras. Assim, pessoas assumem cargos e funções devido a sua relação com as outras, o que aparece em outros textos do próprio Roberto DaMatta.

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