(UNESP 2021 - 1ª fase)
Texto 1
Nos últimos tempos, reservou-se (e, com isso, popularizou-se) o termo fake news para designar os relatos pretensamente factuais que inventam ou alteram os fatos que narram e que são disseminados, em larga escala, nas mídias sociais, por pessoas interessadas nos efeitos que eles poderiam produzir.
(Wilson S. Gomes e Tatiana Dourado. “Fake news, um fenômeno de comunicação política entre jornalismo, política e democracia”. Estudos em Jornalismo e Mídia, no 2, vol. 16, 2019.)
Texto 2
As vacinas foram os principais alvos de fake news entre todas as publicações monitoradas pelo Ministério da Saúde em 2018. Cerca de 90% dos focos de mentiras identificados pelo órgão tinham como alvo a vacinação. Reconhecido internacionalmente, o programa de imunização brasileiro viu doenças como sarampo e poliomielite voltarem a ameaçar o país em 2018 após os índices de cobertura vacinal caírem em 2017.
(Fabiana Cambricoli. “Ministério da Saúde identifica 185 focos de fake news e reforça campanhas”. https://saude.estadao.com.br, 20.09.2018. Adaptado.)
Os textos tratam de uma prática que é contrária ao princípio da fundamentação racional sustentado por Descartes, que propôs a
busca por um conhecimento seguro proveniente do ato de duvidar.
construção da compreensão a partir da lógica dialética.
eliminação da subjetividade na produção do conhecimento.
fundamentação das certezas a partir da experiência sensível.
percepção da realidade por meio da associação entre fé e razão.
Gabarito:
busca por um conhecimento seguro proveniente do ato de duvidar.
a) Correta. busca por um conhecimento seguro proveniente do ato de duvidar.
Descartes quer fundamentar um conhecimento seguro e inabalável que não seja destruído pela dúvida hiperbólica, isto é, algo do qual não se possa duvidar, que é o próprio ato de duvidar, isto é, de pensar, uma atividade do eu pensante.
b) Incorreta. construção da compreensão a partir da lógica dialética.
Essa perspectiva não é a ideia de Descartes, mas de autores como Hegel e Platão.
c) Incorreta. eliminação da subjetividade na produção do conhecimento.
Descartes não anula a subjetividade no conhecimento, pois o que se conhece tem como base justamente o sujeito que pensa, o res cogitan, a consciência, como ponto de partida para o conhecimento.
d) Incorreta. fundamentação das certezas a partir da experiência sensível.
Descartes, como racionalista, não defende que a fonte do conhecimento são as experiências sensíveis, mas a razão.
e) Incorreta. percepção da realidade por meio da associação entre fé e razão.
A crença, para Descartes, é passível de dúvida, portanto ele busca fundamentar o conhecimento meramente na razão, inclusive o conhecimento de Deus.