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Questão 60

UNESP 2021
Filosofia

(UNESP - 2021 - 1ª fase - DIA 2)

Mas eu me persuadi de que nada existia no mundo, que não havia nenhum céu, nenhuma terra, espíritos alguns, nem corpos alguns; me persuadi também, portanto, de que eu não existia? Certamente não, eu existia, sem dúvida, se é que eu me persuadi ou, apenas, pensei alguma coisa. Mas há algum, não sei qual, enganador mui poderoso e mui ardiloso que emprega toda a sua indústria em enganar-me sempre. Não há pois dúvida alguma de que sou, se ele me engana; e, por mais que me engane, não poderá jamais fazer com que eu nada seja, enquanto eu pensar ser alguma coisa. De sorte que, após ter pensado bastante nisto e de ter examinado cuidadosamente todas as coisas, cumpre enfim concluir e ter por constante que esta proposição, penso, logo sou, é necessariamente verdadeira, todas as vezes que a enuncio […].

(René Descartes. Meditações, 1973.)

Segundo o texto, um dos pontos iniciais do método de Descartes que o levou ao cogito (“penso, logo sou”) foi

A

a análise das partes.

B

a síntese das partes analisadas.

C

o prevalecimento da alma sobre o raciocínio.

D

o reconhecimento de um Deus enganador.

E

a arte da persuasão grega.

Gabarito:

o reconhecimento de um Deus enganador.



Resolução:

d) Correta. o reconhecimento de um Deus enganador.
Descartes propõe a hipótese do gênio maligno, sumamente poderoso e que o engana de todas as maneiras possíveis, fazendo-o duvidar de tudo que já conhecia (radicalização do processo dubitativo). No entanto, sua própria existência nunca escapará de suas mãos, pois o ser pensa. Dessa forma, a dúvida hiperbólica é superada através do cogito ergo sum, "penso, logo existo", porque, enquanto o ser pensa, nada há que o gênio maligno possa fazer para enganá-lo de que existe.
Assim, Descartes sustenta que o ato de pensar é tão evidente que não é possível ser enganado sobre o fato de que eu existo enquanto penso.

 

a) Incorreta. a análise das partes.
A análise das partes é uma das etapas do método cartesiano, mas não serve de fundamento ao cogito.

b) Incorreta. a síntese das partes analisadas.
A síntese é uma das etapas do método cartesiano, mas não serve de fundamento ao cogito.

c) Incorreta. o prevalecimento da alma sobre o raciocínio.
O raciocínio como um ato do pensamento se equivale a alma e essa concepção não fundamenta o cogito.

e) Incorreta. a arte da persuasão grega.
A tradição não fornece fundamento ao cogito.

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