(UNICAMP - 2008 - 1a fase - Questão 1)
Em 1348 a peste negra invadiu a França e, dali para a frente, nada mais seria como antes. Uma terrível mortalidade atingiu o reino. A escassez de mão-de-obra desorganizou as relações sociais e de trabalho. Os trabalhadores que restaram aumentaram suas exigências. Um rogo foi dirigido a Deus, e também aos homens incumbidos de preservar Sua ordem na Terra. Mas foi preciso entender que nem a Igreja nem o rei podiam fazer coisa alguma. Não era isso uma prova de que nada valiam? De que o pecado dos governantes recaía sobre a população? Quando o historiador começa a encontrar tantas maldições contra os príncipes, novas formas de devoção e tantos feiticeiros sendo perseguidos, é porque de repente começou a se estender o império da dúvida e do desvio.
(Adaptado de Georges Duby, A Idade Média na França (987-1460): de Hugo Capeto a Joana d’Arc. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1992, p. 256-258.)
a) A partir do texto, identifique de que maneira a peste negra repercutiu na sociedade da Europa medieval, em seus aspectos econômico e religioso.
b) Indique características da organização social da Europa medieval que refletiam a ordem de Deus na Terra.
Gabarito:
Resolução:
a) De acordo com o texto, a Peste Negra repercutiu econômica e religiosamente por: desorganizar as relações sociais e as relações de trabalhadores; promover a descrença na Igreja e no rei, perante o insucesso dessas autoridades em atender as súplicas da população; incitar o ódio em relação a diversas figuras (príncipes, feiticeiros, clero), colocando a Peste como castigo perante seus pecados; estimular novas formas de devoção, depois que o apelo à religiosidade vigente também não resolveu o problema.
b) Naquele contexto, a organização da sociedade em três ordens que se complementam refletia o teocentrismo na medida que se vinculava à ideia da Santíssima Trindade. Essas ordens se dividem entre “os que rezam, os que lutam e os que trabalham”, respectivamente, o clero, os nobres (atrelados à figura de guerreiro) e os camponeses/servos. Dentro disso, o laço que unia nobres nas relações de suserania e vassalagem também estava envolto em sacralidade, o que reforçava a fidelidade de um ao outro.