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Questão 47718

UNICAMP 2016
Português

(UNICAMP - 2016 - 2ª fase)

Em ensaio publicado em 2002, Nicolau Sevcenko discorre sobre a repercussão da obra de Euclides da Cunha no pensamento político nacional.

“Acima de tudo Euclides exaltava o papel crucial do agenciamento histórico da população brasileira. Sua maior aposta para o futuro do país era a educação em massa das camadas subalternas, qualificando as gentes para assumir em suas próprias mãos seu destino e o do Brasil. Por isso se viu em conflito direto com as autoridades republicanas, da mesma forma como outrora lutara contra os tiranetes da monarquia. Nunca haveria democracia digna desse nome enquanto prevalecesse o ambiente mesquinho e corrupto da ‘república dos medíocres’(...). Gente incapaz e indisposta a romper com as mazelas deixadas pelo latifúndio, pela escravidão e pela exploração predatória da terra e do povo. (...) Euclides expôs a mistificação republicana de uma ‘ordem’ excludente e um ‘progresso’ comprometido com o legado mais abominável do passado. Sua morte precoce foi um alívio para os césares. A história, porém, orgulhosa de quem a resgatou, não deixa que sua voz se cale.”

(Nicolau Sevcenko, O outono dos césares e a primavera da história. Revista da USP, São Paulo, n. 54, p. 30-37, jun-ago 2002.)

 

a) No último período do texto, há uma ocorrência do conectivo “porém”. Que argumentos do texto são articulados por esse conectivo?

b) Apresente o argumento que embasa a posição atribuída a Euclides da Cunha em relação ao lema da Bandeira Nacional

Gabarito:

Resolução:

a) Segundo Sevcenko, a morte de Euclides da Cunha foi  "um alívio para os césares", justamente por conta de ele ter exposto diversas mazelas da sociedade, principalmente as questões de desigualdade. O conectivo "porém" contrapõe esse fato com o de que as pessoas continuaram a resgatar seus ideais, não deixando que Cunha tivesse feito tudo em vão.

b) Euclides da Cunha enxerga o lema "Ordem e Progresso", presente na bandeira do Brasil, de uma maneira diversa à tradicional, alegando que a "ordem" seja uma ordem excludente e, o "progresso", sempre apegado ao que ocorreu de pior no passado, isso tudo dado através de uma mistificação republicana.

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