Agora, considere quantos desses usuários já estão em seu segundo, terceiro ou quarto aparelho e você vai começar a entender o problema. As pessoas em Gana sabem disso muito bem. Gana, junto com regiões da Índia, Nigéria, China, e muitos outros lugares, tornaram-se o depósito de lixo dos eletrônicos do mundo. Lá, eletrônicos antigos, usados, não mais queridos e defasados chegam de barco com a desculpa de reciclagem. Infelizmente, a palavra “reciclar” significa algo totalmente diferente do que significa aqui.
Nesse ambiente não regulamentado e muitas vezes não monitorado, onde o salário médio anual é expresso em centenas de dólares, produtos tecnológicos são queimados para separar o plástico dos metais mais valiosos. Produtos com pouco ou nenhum valor são jogados em fossos próximos. Não é preciso dizer que a ameaça de toxinas escaparem não é mais uma ameaça – é a realidade. Oitenta por cento das crianças em Guiyu, na China, outra região que recebe eletrônicos recicláveis, tem níveis elevados de chumbo no sangue devido às toxinas encontradas nesses eletrônicos.
Disponível em: https://gizmodo.uol.com.br/a-historia-do-e-lixo-o-que-acontece-com-a-tecnologia-depois-que-e-descartada/). Acesso em 12 jul. 2020. (Adaptado).
Os efeitos nocivos do cenário descrito no texto são potencializados pelo
alto índice de poluição prévia dos locais de destino dos produtos.
baixo nível de qualidade dos objetos descartados.
ciclos de vida cada vez mais curtos de aparelhos eletrônicos.
descaso dos países de destino com a coleta dos produtos.
excesso de leis e normas que regem a reciclagem.
Gabarito:
ciclos de vida cada vez mais curtos de aparelhos eletrônicos.
A
Incorreta. O texto deixa claro que a poluição e a contaminação humana nos países de destino do lixo eletrônico é causada diretamente pela presença deste tipo de dejeto e sua manipulação inadequada, não havendo uma situação prévia relevante para o efeito final. Uma leitura equivocada do texto pode levar o aluno a desconsiderar esse fator.
B
Incorreta. O texto não especifica o tipo de objeto que é descartado, o que permite inferir que eletrônicos de diversas origens, funções e qualidades são levados a esses locais sem distinção, e frisa que é o descarte e a manipulação inadequada que liberam agentes poluentes e contaminantes.
C
Correta. O acelerado processo de obsolescência e renovação tecnológica potencializado pelo consumismo moderno, principalmente nos países desenvolvidos, tem gerado volumes cada vez maiores de lixo eletrônico, que são recolhidos por empresas de reciclagem destes países e descartados em países pobres e em desenvolvimento, muitas vezes sem o devido cuidado com agentes contaminantes e poluentes, como metais pesados e resíduos químicos, em clara infração à Convenção da Basiléia.
D
Incorreta. A coleta dos eletrônicos descartados é feita por entidades privadas nos países de origem dos dejetos, não cabendo, portanto, aos países de destino a responsabilidade sobre essa etapa do processo. O primeiro parágrafo explicita essa relação quando especifica os países de destino dos carregamentos de lixo eletrônico.
E
Incorreta. A Convenção de Basileia é um exemplo de dispositivo internacional de controle dos movimentos de importação, exportação e o trânsito de resíduos perigosos. Como acordo, porém, ela depende da criação de legislação específica e fiscalização em cada país envolvido no processo, o que muitas vezes não acontece ou se dá de maneira insuficiente para evitar o problema, principalmente nos países de destino dos resíduos. Uma leitura equivocada do segundo parágrafo pode levar a esse erro.