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Questão 33

ENEM 2021
História

Em 1988, dizia Lúcio Costa ao jornal O Estado de S. Paulo: "O que ocorre em Brasília e fere nossa sensibilidade é [...] a coexistência, lado a lado, da arquitetura e da antiarquitetura, que se alastra; da inteligência e da antiinteligência, que não para; é [...] o desenvolvimento atolado no subdesenvolvimento; são as facilidades e o relativo bem-estar de uma parte, e as dificuldades e o crônico mal estar da parte maior. [...] Brasília é, portanto, uma síntese do Brasil, com seus aspectos positivos e negativos, mas é também testemunho de nossa força viva latente. Do ponto de vista do tesoureiro, do ministro da Fazenda, a construção da cidade pode ter sido mesmo insensatez, mas do ponto de vista do estadista, foi um gesto de lúcida coragem e confiança no Brasil definitivo."

OLIVEIRA, Lúcia Lippi. A construção de Brasília. Disponível em: <https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/Brasilia/Construcao>. Acesso em: 19 set. 2021. (Adaptado)

 

a) Indique em qual governo a construção de Brasília se iniciou.

b) Explique a contradição social tratada no texto, que está relacionada com o desenvolvimento da cidade de Brasília.

c) Explique o porquê de, segundo Lúcio Costa, a construção de Brasília suscitar opiniões divergentes de economistas e de estadistas.

Gabarito:

Resolução:

A

A construção de Brasília se iniciou durante a presidência de Juscelino Kubitschek, que governou o Brasil entre os anos de 1956 e 1961.

B

Ao sustentar que o desenvolvimento e o subdesenvolvimento convivem no mesmo espaço em Brasília, Lúcio Costa critica a realidade social desigual da capital brasileira, afinal, apesar de ter seu eixo monumental devidamente planejado, apresenta ocupações humanas sem a devida infraestrutura básica. Dessa maneira, é possível afirmar que riqueza e pobreza compartilham os mesmos espaços na cidade, que é o centro político brasileiro, refletindo, então, a dinâmica socioespacial de muitas cidades.

C

A divergência entre economistas e estadistas sobre a construção de Brasília gira em torno do custo-benefício oferecido pela atual capital brasileira. Para economistas, o custo de sua construção foi muito elevado para os benefícios proporcionados pela cidade, o que se comprova, segundo muitos estudiosos, pelo crescimento da dívida externa brasileira devido aos empréstimos contraídos para financiar a nova capital. Por sua vez, estadistas sustentam o ponto de vista de que a construção de Brasília foi fundamental para aprimorar a interligação do poder central com as regiões brasileiras, incentivando, também, a ocupação territorial do Centro-Oeste por novas levas populacionais.

 

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