Manifesto das educadoras e dos educadores da Reforma Agrária ao povo brasileiro
1. Somos educadoras e educadores de crianças, jovens e adultos de acampamentos e assentamentos de todo o Brasil, e colocamos o nosso trabalho a serviço da luta pela Reforma Agrária e das transformações sociais.
[...]
3. Compreendemos que a educação sozinha não resolve os problemas do povo, mas é um elemento fundamental nos processos de transformação social;
4. Lutamos por justiça social! Na educação isto significa garantir escola pública, gratuita e de qualidade para todos;
[...]
6. Queremos o direito de pensar e de participar das decisões sobre a política educacional;
[...]
11. Lutamos por escolas públicas em todos os Acampamentos e Assentamentos de Reforma Agrária do país e defendemos que a gestão pedagógica destas escolas tenha a participação da comunidade Sem Terra;
12. Trabalhamos por um projeto político-pedagógico que fortaleça novas formas de desenvolvimento no campo, baseadas na justiça social, na cooperação agrícola, no respeito ao meio ambiente e na valorização da cultura camponesa.
1º Encontro Nacional de Educadoras e Educadores da Reforma Agrária, 28 a 31 de julho de 1997.Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1997/8/01/brasil/29.html. Acesso em: 17 mar. 2023 (adaptado).
Fruto de um primeiro encontro nacional, o manifesto refletiu na formulação de diretrizes educacionais de modo que, como sugere o documento, fosse priorizado(a) o(a)
isolamento da instrução informal.
proteção da autonomia pedagógica.
desmantelamento do ensino privado.
substituição integral do ensino regular.
manutenção identitária do movimento social.
Gabarito:
manutenção identitária do movimento social.
A) Incorreto. O manifesto reivindicava a consideração dos saberes informais e da cultura camponesa na composição do ensino formal. Dessa forma, os saberes informais seriam integrados à instrução regular, e não isolados.
B) Incorreto. No texto, não há uma reivindicação em torno da autonomia pedagógica, mas, sim, do desenvolvimento de uma pedagogia voltada para as necessidades e reivindicações do campo, bem como o modo de vida dessas populações. Além disso, o movimento reivindicava a participação de membros da comunidade na gestão das escolas, não de forma autônoma, e sim colaborativa.
C) Incorreto. O manifesto defende a instituição do ensino público nos acampamentos e assentamentos, mas não tece críticas ao ensino privado.
D) Incorreto. O movimento não reivindicava a substituição do ensino regular, mas, sim, o desenvolvimento de políticas educacionais voltadas para o campo. Dessa forma, defendiam a estruturação de um ensino regular que se voltasse para as necessidades da população campesina, e não a substituição completa do modelo regular já estruturado.
E) Correto. O manifesto deixa explícito o caráter do movimento social, que reivindicava educação gratuita e as políticas educacionais nos acampamentos e assentamentos, mas de forma que a identidade do grupo fosse preservada. Nas reivindicações, não bastariam ser criadas escolas, mas os integrantes do movimento deveriam participar dos trâmites da gestão, e os valores e as formas de vivência no campo deveriam ser considerados no projeto político-pedagógico.