Questão 45112

(FUVEST - 2010 - 1 FASE )

Belo Horizonte, 28 de julho de 1942.

Meu caro Mário, Estou te escrevendo rapidamente, se bem que haja muitíssima coisa que eu quero te falar (a respeito da Conferência, que acabei de ler agora). Vem-me uma vontade imensa de desabafar com você tudo o que ela me fez sentir. Mas é longo, não tenho o direito de tomar seu tempo e te chatear.

Fernando Sabino.

Neste trecho de uma carta de Fernando Sabino a Mário de Andrade, o emprego de linguagem informal é bem evidente em 

A

“se bem que haja”.

B

“que acabei de ler agora”.

C

“Vem-me uma vontade”.

D

“tudo o que ela me fez sentir”.

E

“tomar seu tempo e te chatear”.

Gabarito:

“tomar seu tempo e te chatear”.



Resolução:

Neste trecho de uma carta de Fernando Sabino a Mário de Andrade, o emprego de linguagem informal é bem evidente em

Alternativas

  1. “se bem que haja”.Comentário: alternativa incorreta. Não é considerado como um emprego informal. Está dentro dos parâmetros da formalidade linguística.

  2. “que acabei de ler agora”. Comentário: alternativa incorreta. Na oração da alternativa B há uma redundância, mas essa não configura, necessariamente, um emprego de linguagem informal, pois é considerada um vício de linguagem.

  3. “Vem-me uma vontade”. Comentário: alternativa incorreta. O enunciador escolheu o tempo presente para referenciar o tempo da sua mensagem: "Vem-me uma vontade imensa de desabafar." Nessa oração, entretanto, não ocorre nenhum emprego informal da linguagem como a colocação pronominal inadequada, por exemplo.

  4. “tudo o que ela me fez sentir”.Comentário: alternativa incorreta.A frase da alternativa D “tudo o que ela me fez sentir” não apresenta erros ou o emprego de linguagem informal, logo, ela está correta e não poderia ser a resposta à questão. Se a colocação do pronome ocorresse depois do verbo (ênclise), como em "tudo o que ela fez-me sentir“, a frase estaria incorreta gramaticalmente por não seguir a próclise requerida pelo uso do pronome relativo "que", e poderia, nesse caso, ser considerado um exemplo de emprego de linguagem informal – nesse caso poderia ser uma resposta possível.

  5. “tomar seu tempo e te chatear”. Comentário: alternativa correta. A mistura de pronomes de segunda pessoa (“te”) e terceira (“seu”) é uma marca da oralidade, ou seja, da linguagem informal.



Questão 1779

(FUVEST - 2016 - 1ª FASE)

No contexto do cartum, a presença de numerosos animais de estimação permite que o juízo emitido pela personagem seja considerado

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Questão 1780

(FUVEST - 2016 - 1ª FASE)

Para obter o efeito de humor presente no cartum, o autor se vale, entre outros, do seguinte recurso:

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Questão 1794

(Fuvest 2016)

Omolu espalhara a bexiga na cidade. Era uma vingança contra a cidade dos ricos. Mas os ricos tinham a vacina, que sabia Omolu de vacinas? Era um pobre deus das florestas d’África. Um deus dos negros pobres. Que podia saber de vacinas? Então a bexiga desceu e assolou o povo de Omolu. Tudo que Omolu pôde fazer foi transformar a bexiga de negra em alastrim, bexiga branca e tola. Assim mesmo morrera negro, morrera pobre. Mas Omolu dizia que não fora o alastrim que matara. Fora o 1lazareto. Omolu só queria com o alastrim marcar seus filhinhos negros. O lazareto é que os matava. Mas as macumbas pediam que ele levasse a bexiga da cidade, levasse para os ricos latifundiários do sertão. Eles tinham dinheiro, léguas e léguas de terra, mas não sabiam tampouco da vacina. O Omolu diz que vai pro sertão. E os negros, os ogãs, as filhas e pais de santo cantam:

Ele é mesmo nosso pai
e é quem pode nos ajudar...

Omolu promete ir. Mas para que seus filhos negros não o esqueçam avisa no seu cântico de despedida:

Ora, adeus, ó meus filhinhos,
Qu’eu vou e torno a vortá...

E numa noite que os atabaques batiam nas macumbas, numa noite de mistério da Bahia, Omolu pulou na máquina da Leste Brasileira e foi para o sertão de Juazeiro. A bexiga foi com ele.

Jorge Amado, Capitães da Areia.

1lazareto: estabelecimento para isolamento sanitário de pessoas atingidas por determinadas doenças.

Costuma-se reconhecer que Capitães da Areia pertence ao assim chamado “romance de 1930”, que registra importantes transformações pelas quais passava o Modernismo no Brasil, à medida que esse movimento se expandia e diversificava. No excerto, considerado no contexto do livro de que faz parte, constitui marca desse pertencimento

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Questão 1804

(Fuvest 2012)

Como não expressa visão populista nem elitista, o livro não idealiza os pobres e rústicos, isto é, não oculta o dano causado pela privação, nem os representa como seres desprovidos de vida interior; ao contrário, o livro trata de realçar, na mente dos desvalidos, o enlace estreito e dramático de limitação intelectual e esforço reflexivo. 

Essas afirmações aplicam-se ao modo como, na obra:

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