(FUVEST - 2019 - 2ª fase)
Leia o texto.
Tio Ben cravou pouco antes de falecer: “grandes poderes nunca vêm sozinhos”. E não há responsabilidade maior do que tirar a vida de alguém. Isso, no entanto, não significa que super-heróis tenham a ficha completamente limpa. Na verdade, uma olhada mais atenta nos filmes sobre os personagens confirma uma teoria não tão inocente – a grande maioria deles é homicida. Foi pensando nisso que um usuário do Reddit, identificado como T0M95, resolveu planilhar os assassinatos que acontecem nos filmes da Marvel. Nos 20 longas, que saíram nos últimos 10 anos, foram 65 mortes – e 20 delas deixaram sangue nas mãos dos mocinhos. Vale dizer que o usuário contabilizou apenas mortes relevantes à história: só entraram na planilha vítimas que tinham, pelo menos, nome antes de baterem as botas. Nada de figurantes ou bonecos criados em computação gráfica só para dar volume a uma tragédia. Ficaram de fora, por exemplo, as centenas que morreram durante a batalha de Wakanda, em “Vingadores: Guerra Infinita”, ou a cena de “Guardiões da Galáxia” que se consagrou como o maior massacre da história do cinema.
https://super.abril.com.br/cultura/quantosassassinatoscadaheroievilaodamarvelcometeunoscinemas. Adaptado.
a) Qual o sentido das palavras “cravou” e “planilhar” destacadas no texto e qual o efeito que elas produzem?
b) Substitua os dois-pontos do trecho “Vale dizer que o usuário contabilizou apenas mortes relevantes à história: só entraram na planilha vítimas que tinham, pelo menos, nome antes de baterem as botas” por uma conjunção e indique qual a relação de sentido estabelecida por ela
Gabarito:
Resolução:
Resolução:
a) Essa é uma questão que explora a polissemia das palavras, num universo de comunicação mais atual, que permite o uso de palavras fora de seu contexto usual.
O sentido de “cravou” explorado no texto diz respeito ao ato de ser certeiro e assertivo na sua afirmação, um pouco diferente da significação dicionarizada que é segurar algo, prender com profundidade ou penetrar com objeto cortante. Isso reafirma a polissemia do termo, a usabilidade da língua, que é viva e permite que essas novas acepções sejam feitas naturalmente.
O termo “cravou” na oração “Tio Ben cravou pouco antes de falecer: “grandes poderes nunca vêm sozinhos” também pode ser compreendida como a ação do Tio Ben em se comunicar com algum receptor da mensagem “pregando” a mensagem citada anteriormente, isto é, o termo “cravou” significa “pregar” alguma mensagem para um destinatário específico, admitindo assim, a acepção dicionarizada do termo.
Já o termo “planilhar” é abordado no sentido de organizar, por em uma planilha, como pode ser entendido no trecho resolveu planilhar os assassinatos que acontecem nos filmes da Marvel” , ou seja, ordenar os assassinatos para facilitar a compreensão de tais atos.
b) O sinal de dois pontos apresenta diversas funções. É usado para introduzir uma explicação, um esclarecimento, uma citação ou a fala de uma personagem. No caso da oração “Vale dizer que o usuário contabilizou apenas mortes relevantes à história: só entraram na planilha vítimas que tinham, pelo menos, nome antes de baterem as botas” serve para marcar a introdução de uma explicação, sendo assim, pode ser inserido uma conjunção explicativa, por exemplo, “porque”. A relação que pode ser percebida pela conjunção explicativa na oração é a razão pela qual leva o indivíduo a contabilizar as mortes relevantes na história (“só entraram na planilha vítimas que tinham, pelo menos, nome antes de baterem as botas”).
(FUVEST - 2016 - 1ª FASE)
No contexto do cartum, a presença de numerosos animais de estimação permite que o juízo emitido pela personagem seja considerado
Ver questão
(FUVEST - 2016 - 1ª FASE)
Para obter o efeito de humor presente no cartum, o autor se vale, entre outros, do seguinte recurso:
Ver questão
(Fuvest 2016)
Omolu espalhara a bexiga na cidade. Era uma vingança contra a cidade dos ricos. Mas os ricos tinham a vacina, que sabia Omolu de vacinas? Era um pobre deus das florestas d’África. Um deus dos negros pobres. Que podia saber de vacinas? Então a bexiga desceu e assolou o povo de Omolu. Tudo que Omolu pôde fazer foi transformar a bexiga de negra em alastrim, bexiga branca e tola. Assim mesmo morrera negro, morrera pobre. Mas Omolu dizia que não fora o alastrim que matara. Fora o 1lazareto. Omolu só queria com o alastrim marcar seus filhinhos negros. O lazareto é que os matava. Mas as macumbas pediam que ele levasse a bexiga da cidade, levasse para os ricos latifundiários do sertão. Eles tinham dinheiro, léguas e léguas de terra, mas não sabiam tampouco da vacina. O Omolu diz que vai pro sertão. E os negros, os ogãs, as filhas e pais de santo cantam:
Ele é mesmo nosso pai
e é quem pode nos ajudar...
Omolu promete ir. Mas para que seus filhos negros não o esqueçam avisa no seu cântico de despedida:
Ora, adeus, ó meus filhinhos,
Qu’eu vou e torno a vortá...
E numa noite que os atabaques batiam nas macumbas, numa noite de mistério da Bahia, Omolu pulou na máquina da Leste Brasileira e foi para o sertão de Juazeiro. A bexiga foi com ele.
Jorge Amado, Capitães da Areia.
1lazareto: estabelecimento para isolamento sanitário de pessoas atingidas por determinadas doenças.
Costuma-se reconhecer que Capitães da Areia pertence ao assim chamado “romance de 1930”, que registra importantes transformações pelas quais passava o Modernismo no Brasil, à medida que esse movimento se expandia e diversificava. No excerto, considerado no contexto do livro de que faz parte, constitui marca desse pertencimento
Ver questão
(Fuvest 2012)
Como não expressa visão populista nem elitista, o livro não idealiza os pobres e rústicos, isto é, não oculta o dano causado pela privação, nem os representa como seres desprovidos de vida interior; ao contrário, o livro trata de realçar, na mente dos desvalidos, o enlace estreito e dramático de limitação intelectual e esforço reflexivo.
Essas afirmações aplicam-se ao modo como, na obra:
Ver questão