(Modelo IME)
É possível identificar a referência ao espelho tanto no Texto 1, como no Texto 2, como evidenciam os trechos:
"Hoje não canto nem rio. Se me vejo ao espelho, a dureza da boca e a dureza dos olhos me descontentam." (Texto 1, linha 31);
"Em que espelho ficou perdida/ a minha face?" (Texto 2, versos 11 e 12).
Sobre esse objeto e os sentidos que carrega, é correto afirmar que
no Texto 1 o espelho é referido em seu sentido denotativo, como objeto que reflete uma imagem, enquanto no Texto 2 essa dimensão física é abandonada, dando lugar a uma metáfora de fundo espiritual.
tanto no Texto 1 como no Texto 2, o espelho produz um retrato fiel e objetivo da realidade, como se comprova pela referência às partes do corpo (olhos, mãos) feitas tanto pelo narrador como pelo eu lírico.
nos dois textos o espelho emerge como uma crítica à vaidade e ao egocentrismo, que evidencia o envelhecimento e a perda da beleza dos sujeitos enunciadores como consequências da deturpação de seus valores.
em ambos os textos, o espelho reflete não só o corpo, mas também uma identidade em crise, reveladora de distorções, dúvidas e imagens cuja origem está em dilemas existenciais dos sujeitos que se observam.
ao passo que no Texto 1 o espelho exibe apenas as deformidades e fraquezas do narrador; o mesmo objeto, no Texto 2, mostra um reflexo ambíguo, que combina o vazio sentimental a uma corporalidade erótica feminina.
Gabarito:
em ambos os textos, o espelho reflete não só o corpo, mas também uma identidade em crise, reveladora de distorções, dúvidas e imagens cuja origem está em dilemas existenciais dos sujeitos que se observam.
[D]
Os reflexos observados nos dois textos apontam para crises existenciais de seus sujeitos-enunciadores. Nesse sentido, o espelho surge como objeto que reflete não apenas o corpo, mas também as inquietações que atingem a subjetividades e imagens desses indivíduos.
Sobre as demais afirmativas:
a) o sentido do texto 1 não é apenas denotativo, e no texto 2 essa denotação tampouco é abandonada. A metáfora de Cecília possui natureza existencial, não espiritual;
b) as imagens produzidas pelo espelho são atravessadas pela subjetividade, tanto que se caracterizam por adjetivos como "duro", "amargo", e "vazio", que fogem ao escopo da objetividade visual;
c) o espelho não emerge como crítica ao egocentrismo, e sim questionamento do próprio ego, defrontado com uma versão desconhecida de si. Não há referências à deturpação de valores no Texto 2;
e) não existe uma dimensão erótica e feminina evidente e comprovável no poema de Cecília Meireles.