(Modelo IME)
Texto 2
Retrato
1 Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
5 Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
10 tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?
MEIRELES, C. "Retrato". In: Viagem. 2. ed. São Paulo: Global Editora, 2012. p. 26.
O uso reiterado do pronome demonstrativo este e suas variações, ao longo do Texto 2 (versos 1, 3, 5, 7 e 9), sinaliza
a escolha por uma linguagem erudita, com traços arcaizantes.
a remissão a características físicas passadas, saudosas ao eu lírico.
a referência a elementos próximos do eu lírico no espaço e no tempo.
a indeterminação dos referentes, que se tornam mais vazios e abstratos.
a musicalidade do poema, pela aliteração do conjunto consonantal "st".
Gabarito:
a referência a elementos próximos do eu lírico no espaço e no tempo.
[C]
O demonstrativo "este" (e suas variações de gênero e número) tem a função de indicar referentes próximos ao enunciador. No caso do poema, o "rosto", os "olhos", as "mãos" e o "coração", bem como "a mudança" são elementos presentificados, tanto no tempo ("hoje"), como no espaço — considerada a enunciação a partir do corpo sobre ele mesmo.