(MACKENZIE - 2005)
Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo!
E ai Deus, se verrá cedo!
Ondas do mar levado,
se vistes meu amado!
E ai Deus, se verrá cedo!
Martim Codax
*Obs.: verrá = virá; levado = agitado
Considerando o texto, é possível inferir que:
A estrutura paralelística é, neste poema, particularmente expressiva, pois reflete, no plano formal, o movimento de vai-e-vem das ondas.
Nesse texto, os versos livres e brancos são indispensáveis para assegurar o efeito musical da canção.
As repetições que marcam o desenvolvimento do texto opõem-se ao tom emotivo do poema.
No refrão, a voz das ondas do mar faz-se presente como contraponto irônico ao desejo do eu lírico.
É um típico vilancete de tradição popular, com versos em redondilha maior e estrofação irregular.
Gabarito:
A estrutura paralelística é, neste poema, particularmente expressiva, pois reflete, no plano formal, o movimento de vai-e-vem das ondas.
[A]
a) Correta. A estrutura paralelística (repetição do refrão entre as estrofes) é importante por repetir o "ir e vir" das ondas, casando forma e conteúdo na construção da cantiga.
b) Incorreta. Os versos não são livres e brancos, muito pelo contrário: há metros regulares e rimas entre os versos.
c) Incorreta. As repetições nos refrões reforçam o tom emotivo, ao revelar a indagação do eu-lírico feminino diante da distância ("E ai Deus, se verrá cedo!").
d) Incorreta. As ondas não satirizam a opinião do eu lírico, e sim reforçam e reiteram seu sofrimento e sua saudade. Não há essa réplica irônica.
e) Incorreta. Os versos não estão em redondilha maior (7 sílabas métricas), e sim são hexassílabos. Os "vilancetes" surgem após o trovadorismo, nas poéticas renascentistas.