(UFU - 2012)
O botão desaparece no desabrochar da flor, e poderia dizer-se que a flor o refuta; do mesmo modo que o fruto faz a flor parecer um falso ser-aí da planta, pondo-se como sua verdade em lugar da flor: essas formas não só se distinguem, mas também se repelem como incompatíveis entre si [...].
HEGEL, G.W.F. Fenomenologia do Espírito. Petrópolis: Vozes, 1988.
Com base em seus conhecimentos e na leitura do texto acima, assinale a alternativa correta segundo a filosofia de Hegel.
A essência do real é a contradição sem interrupção ou o choque permanente dos contrários.
As contradições são momentos da unidade orgânica, na qual, longe de se contradizerem, todos são igualmente necessários.
O universo social é o dos conflitos e das guerras sem fim, não havendo, por isso, a possibilidade de uma vida ética.
Hegel combateu a concepção cristã da história ao destituí-la de qualquer finalidade benevolente.
Gabarito:
As contradições são momentos da unidade orgânica, na qual, longe de se contradizerem, todos são igualmente necessários.
b) Correta. As contradições são momentos da unidade orgânica, na qual, longe de se contradizerem, todos são igualmente necessários.
O texto da questão ilustra o processo dialético de Hegel, cujo processo se dá pela contradição entre a tese e a antítese, vinculadas na síntese. A dialética hegeliana (tese, antítese e síntese) se dá de maneira idealista, no campo da razão; constituem as três fases do desenvolvimento do Espírito. Hegel afirma que o real é racional e o racional é real, vinculando realidade e o espírito em sua proposta idealista. Dessa forma, ele concebe a verdade como desenvolvimento do Espírito, a partir de uma dialética na qual o Espírito toma consciência de si mesmo no desenvolver da história. As três fases da dialética são entendidas como: a síntese (afirmação), como a história universal, a dimensão objetiva; a antítese (negação): as paixões e o egoísmo dos indivíduos, como a dimensão subjetiva; síntese (negação da negação): a efetivação da liberdade no Estado, onde a dimensão subjetiva e objetiva se encontram.
a) Incorreta. A essência do real é a contradição sem interrupção ou o choque permanente dos contrários.
A essência do real não é meramente uma contradição interrupta, mas há uma unidade nessa contradição, que é concebida na síntese da dialética hegeliana.
c) Incorreta. O universo social é o dos conflitos e das guerras sem fim, não havendo, por isso, a possibilidade de uma vida ética.
A dialética hegeliana concebe algo que se dá no plano do Espírito, da razão, não meramente uma explicação apenas do universo social, tampouco entende que este seja uma guerra sem fim, pois a história possui um fim
d) Incorreta. Hegel combateu a concepção cristã da história ao destituí-la de qualquer finalidade benevolente.
A filosofia da história de Hegel não teve como intuito ou mesmo como pano de fundo o combate da concepção cristã de história. Sua concepção assume ainda um direcionamento progressivo da história, em direção à manifestação do Espírito absoluto, como um processo dialético. Portanto, é uma concepção teleológica, isto é, a história com uma finalidade positiva.