(UFU - 2013/2)
Em seus estudos sobre o Estado, Maquiavel busca decifrar o que diz ser uma verità effettuale, a ―verdade efetiva‖ das coisas que permeiam os movimentos da multifacetada história humana/política através dos tempos. Segundo ele, há certos traços humanos comuns e imutáveis no decorrer daquela história. Afirma, por exemplo, que os homens são ―ingratos, volúveis, simuladores, covardes ante os perigos, ávidos de lucro‖.
(O Príncipe, cap. XVII)
Para Maquiavel:
A ''verdade efetiva'' das coisas encontra-se em plano especulativo e, portanto, no''dever-ser''.
Fazer política só é possível por meio de um moralismo piedoso, que redime o homem em âmbito estatal.
Fortuna é poder cego, inabalável, fechado a qualquer influência, que distribui bens de forma indiscriminada.
A Virtù possibilita o domínio sobre a Fortuna. Esta é atraída pela coragem do homem que possui Virtù.
Gabarito:
A Virtù possibilita o domínio sobre a Fortuna. Esta é atraída pela coragem do homem que possui Virtù.
d) Correta. A Virtù possibilita o domínio sobre a Fortuna. Esta é atraída pela coragem do homem que possui Virtù.
Maquiavel define virtú como a conduta ideal do príncipe, que o ajuda a se guiar em meio aos acontecimentos (independente de valores morais ou qualquer ética, com base na razão e para atingir seus fins); é, pragmaticamente, a habilidade para governar, considerando as condições que se impõem ao longo do trajeto. Fortuna são as condições do momento; é a imprevisibilidade dos acontecimentos; seria como a "sorte", que a virtú ajuda a reconhecer. A virtú permite o domínio sobre a fortuna e esta é atraída pela coragem do homem de virtú.
a) Incorreta. A ''verdade efetiva''das coisas encontra-se em plano especulativo e, portanto, no''dever-ser''.
Para Maquiavel, a verdade efetiva das coisas não existe no plano especulativo, mas na prática, na realidade; no ser, e não no dever-ser. Tanto que ele defende a virtú, conduta do príncipe que o ajuda a se guiar em meio aos acontecimentos (ou seja, em meio ao que acontece de fato, e não ao que se especula acontecer).
b) Incorreta. Fazer política só é possível por meio de um moralismo piedoso, que redime o homem em âmbito estatal.
Maquiavel afirmava que moralismo e piedade não pertencem ao campo da política.
c) Incorreta. Fortuna é poder cego, inabalável, fechado a qualquer influência, que distribui bens de forma indiscriminada.
Não se pode afirmar que a fortuna é "poder cego, inabalável, fechado a qualquer influência, que distribui bens de forma indiscriminada."