(UNESP - 2022 - 2ª FASE)
Texto 1
A crítica não se opõe ao procedimento dogmático da razão no seu conhecimento puro […], mas sim ao dogmatismo […], apoiado em princípios, como os que a razão desde há muito aplica, sem se informar como e com que direito os alcançou. O dogmatismo é, pois, o procedimento dogmático da razão sem uma crítica prévia da sua própria capacidade.
(Immanuel Kant. Crítica da razão pura, 2018.)
Texto 2
Os questionamentos céticos de Hume abalaram profundamente Kant, que visava empreender uma defesa do racionalismo contra o empirismo cético e acabou por elaborar uma filosofia que caracterizou como racionalismo crítico, pretendendo precisamente superar a dicotomia entre racionalismo e empirismo.
(Danilo Marcondes. Iniciação à história da filosofia, 2010. Adaptado.)
Os textos explicitam a noção de “crítica”, que corresponde, na filosofia kantiana,
à defesa da dúvida metódica.
à impossibilidade do conhecimento científico.
ao exame dos limites da compreensão.
à recusa de elementos transcendentais.
ao estabelecimento das bases da experimentação.
Gabarito:
ao exame dos limites da compreensão.
c) Correta. ao exame dos limites da compreensão.
Hume, ao realizar uma crítica da metafísica a partir do empirismo, libertou Kant do sono dogmático. Este, por sua vez, quis empreender uma síntese entre o racionalismo e o empirismo, ao mesmo tempo que apontava críticas a ambas as correntes. Dessa forma, estabeleceu os limites do conhecimento humano, enquanto concebia que o sujeito não podia acessar ao objeto em si mesmo, a coisa em si, a essência das coisas, que se situa no âmbito da metafísica, porém apenas os fenômenos, aquilo que aparece à consciência.
a) Incorreta. à defesa da dúvida metódica.
A defesa da dúvida metódica é um princípio racionalista usado por Descartes e não corresponde à teoria de Kant.
b) Incorreta. à impossibilidade do conhecimento científico.
O conhecimento científico é possível por meio do juízo sintético a priori, segundo Kant.
d) Incorreta. à recusa de elementos transcendentais.
Kant não recusa elementos transcendentais, mas os utiliza como condições do conhecimento.
e) Incorreta. ao estabelecimento das bases da experimentação.
Kant não fornece base para a experimentação.