(UNICAMP - 2008 - 2 fase - Questão 8)
A biologia era essencial para uma ideologia burguesa teoricamente igualitária, pois deslocava a culpa das desigualdades humanas da sociedade para a natureza. As vinculações entre biologia e ideologia são evidentes no intercâmbio entre a eugenia e a genética. A eugenia era essencialmente um movimento político, que acreditava que as condições do homem e da sociedade só poderiam melhorar através do incentivo à reprodução de tipos humanos valorizados e da eliminação dos indesejáveis. A eugenia só passou a ser considerada científica após 1900, com o surgimento da genética, que parecia sugerir que o cruzamento seletivo dos seres humanos segundo o processo mendeliano era possível.
(Adaptado de Eric Hobsbawm, A Era dos Impérios: 1875-1914. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992, p. 351-353.)
a) Quais as implicações políticas do desenvolvimento da genética, no início do século XX?
b) Relacione a ciência do final do século XIX e a política externa europeia do período.
Gabarito:
Resolução:
a) Segundo o texto, o desenvolvimento da genética está ligado à ideia de eugenia, e este vínculo explicitava a relação estreita que biologia e ideologia tinham naquele contexto: os eugenistas, acreditando que incentivar a reprodução de tipos humanos “superiores” e eliminar os “tipos inferiores” levaria ao progresso, eram validados pela genética, que sugeria a possibilidade de cruzamento seletivo dos seres humanos segundo o processo mendeliano. Assim, paralelamente ao surgimento do campo da genética, a eugenia começou a ser considerada científica, trazendo a ciência como justificativa para o fomento ao racismo e ao eurocentrismo.
b) A Europa do século XIX é marcada pelas investidas imperialistas na África e na Ásia, e a ciência do período se relaciona com isso por ter sido usada para glorificar o imperialismo: com a justificativa supostamente científica de que os europeus eram naturalmente superiores aos povos africanos e asiáticos (raças tidas como inferiores), a colonização desses locais era colocada como uma missão nobre e necessária, evocando uma responsabilidade moral da Europa neste aspecto. Dessa forma, mascaravam-se as intenções de exploração e validavam-se os horrores praticados pelos europeus nesses continentes.