MODELO - ENEM
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “A questão da gordofobia médica no contexto brasileiro”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
Texto I
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Um estudo publicado na Obesity Reviews em 2015 levantou evidências demonstrando as percepções negativas dos profissionais de saúde sobre pessoas gordas, e como esses sentimentos podem ter como consequência diagnósticos errados ou tardios, impactando negativamente os resultados destes indivíduos.
Esse mesmo estudo mostrou que aqueles pacientes que enfrentam (ou creem que irão enfrentar) gordofobia médica tendem a procurar menos os serviços de saúde e, quando procuram, tem menos adesão as orientações médicas.
A gordofobia é o preconceito ou intolerância contra pessoas gordas, e pode ser percebida de maneira escancarada ou sutil. Quem nunca ouviu (ou falou) a frase ‘ela tem um rosto tão bonito, pena que é gorda’? Essa frase carrega a ‘confirmação’ de que só pessoas magras são belas, tornando as pessoas gordas em seres, automaticamente, feios.
No consultório médico isso é comum. Pode começar com um comentário, passando pela ausência de instrumentos que podem ser utilizados por pessoas gordas (cadeiras, aparelhos de pressão e balanças) até a ofensas do tipo ‘você não tem conserto mesmo!’.
A justificativa de diversos profissionais é a mesma: uma questão de saúde. A afirmação amplamente divulgada de que obesidade é uma doença crônica e ‘mal do século’ serve, muitas vezes, como alicerce para a gordofobia. Mas o conceito de saúde é maior do que o número do IMC: é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças. Visto isso, colocar um indivíduo obeso sob julgamento gordofóbico, é aproximá-lo do mal estar psicológico e social, e não da sanidade.
É inegável que o excesso de peso pode aumentar o risco de diversas doenças . Porém, atenção: ‘poder aumentar’ não é uma certeza absoluta de que isso irá acontecer. Existem dezenas de milhares de pessoas com sobrepeso ou obesidade que estão a pleno vapor, se alimentando muito bem, longe do sedentarismo e vivendo uma vida perfeita. E existem centenas de milhares de pessoas que são/estão gordas não por ‘falta de vergonha na cara', mas sim pelos mais diversos motivos: transtornos alimentares (como a bulimia e o transtorno da compulsão alimentar), problemas psiquiátricos (de todos os tipos), fisiológicos (metabólicos, genéticos e outros), etc, etc, etc.
Além disso, sabemos que há uma crescente população - cada vez mais nova - com transtornos alimentares. Esses indivíduos podem ter o corpo magro, serem julgados como saudáveis e, na verdade, padecerem de uma grave doença.
(fonte: https://www.naocontocalorias.com.br/naocontocalorias/gordofobiamedica/ acesso em 09/06/2020)
Texto II
Por Maria Tereza Santos - Atualizado em 22 Maio 2020, 12h01 - Publicado em 4 mar 2020, 07h26
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Dados dessa revisão indicam que essa é uma prática constante no mundo. Entre adultos obesos, de 19 a 42% sofrem com a discriminação. As taxas são ainda mais altas entre as mulheres e aqueles com maior índice de massa corporal (IMC).
Isso se reflete principalmente no bem-estar mental. A gordofobia – saiba mais sobre o problema no nosso podcast — está associada a sintomas depressivos, altos índices de ansiedade, baixa autoestima, isolamento social, estresse, uso de drogas e compulsão alimentar.
Nas crianças, o efeito é potencialmente pior devido ao bullying. Comparado a adolescentes magros, os que têm excesso de peso são significativamente mais propensos a passar por isolamento social e a desenvolver transtornos mentais, principalmente ansiedade e depressão.
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A grande responsável pela discriminação é a falta de conhecimento. Diversas pesquisas já apontam que a obesidade é um problema multifatorial, e não resultado de preguiça e indisciplina.
Além da alimentação e atividade física, fatores como genética, sono, estresse, hormônios e uso de certos remédios influenciam na balança. Os produtores de alimentos e os legisladores também têm sua parcela de responsabilidade.
Mídia, educadores, profissionais de saúde, universidades, escolas e governo devem informar a população sobre os perigos do peso elevado. Mas essas mensagens sempre precisam ser livres de preconceitos e coerentes com as evidências científicas modernas.
Uma das razões pelas quais obesos não recebem terapias efetivas é o preconceito enraizado na formação dos próprios médicos.
Uma análise de 21 pesquisas examinou a percepção de pacientes acima do peso ao serem atendidos em consultas. Muitos reclamaram de um comportamento desdenhoso, condescendente e desrespeitoso por parte dos doutores. Já outros tiveram a impressão de que o médico deixava de examiná-los por completo, concentrando-se apenas na obesidade.
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As evidências analisadas pelos autores sugerem que especialistas gastam menos tempo com o pessoal acima do peso e dão mais orientações sobre como se cuidar no dia a dia aos mais magros. Por isso, as universidades devem incluir no currículo o ensino sobre as causas e os tratamentos da obesidade.
De nada adianta ter um atendimento adequado se não há um olhar especial para a acessibilidade, pensando especialmente em quem possui obesidade grave.
Os espaços físicos (rampas, elevadores, cadeiras, macas…) de hospitais e instalações médicas devem ser projetados pensando nessa população.
A obesidade é relacionada a graves problemas de saúde pública. Por isso, os estudos para buscar tratamentos e entender melhor as causas desse quadro precisa receber financiamento apropriado, proporcional à sua prevalência e ao impacto na sociedade.
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Nesse tópico especificamente, os autores abordam a importância de também dedicar mais estudos ao diabetes tipo 2, muito vinculado ao excesso de peso.
Os governantes devem elaborar leis para eliminar as desigualdades sociais baseadas no peso. A ação do Estado é importante, porque a discriminação chega a esbarrar em aspectos socioeconômicos.
Exemplo: o documento mostra que indivíduos obesos trabalham mais horas que os funcionários magros, porém não há diferença em termos de remuneração. Isso quando conseguem um emprego, já que têm menor probabilidade de serem chamados para entrevistas. E se essa pessoa for do sexo feminino, a chance cai ainda mais.
Uma investigação feita com 119 669 britânicos revelou uma forte associação entre IMC alto e baixo status socioeconômico. Outro levantamento relatou que mulheres gordas correm maior risco de trabalhar em empregos que não pagam bem e a receber menos que mulheres magras e homens em geral.
Gabarito: