Considere seu conhecimento de mundo e os textos apresentados a seguir como motivações para redigir um texto dissertativo-argumentativo, em prosa, conforme o tema apresentado. A intervenção é facultativa, mas não aconselhada.
TEXTO I
21 de maio
[...]
Eu ontem comi aquele macarrão do lixo com receio de morrer, porque em 1953 eu vendia ferro lá no Zinho. Havia um pretinho bonitinho. Ele ia vender ferro lá no Zinho. Ele era jovem e dizia que quem deve catar papel são os velhos.
Um dia eu ia vender ferro quando parei na Avenida Bom Jardim. No Lixão, como é denominado o local. Os lixeiros haviam jogado carne no lixo. Ele escolhia uns pedaços: Disse-me:
— Leva, Carolina. Dá para comer.
Deu-me uns pedaços. Para não maguá-lo aceitei. Procurei convencê-lo a não comer aquela carne. Para comer os pães duros ruidos pelos ratos. Ele disseme que não. Que há dois dias não comia. Acendeu o fogo e assou a carne. A fome era tanta que ele não poude deixar assar a carne. Esquentou-a e comeu. Para não presenciar aquele quadro, saí pensando: faz de conta que eu não presenciei esta cena. Isto não pode ser real num paiz fértil igual ao meu. Revoltei contra o tal Serviço Social que diz ter sido criado para reajustar os desajustados, mas não toma conhecimento da existência infausta dos marginais. Vendi os ferros no Zinho e voltei para o quintal de São Paulo, a favela.
No outro dia encontraram o pretinho morto. Os dedos do seu pé abriram. O espaço era de vinte centímetros. Ele aumentou-se como se fosse de borracha. Os dedos do pé parecia leque. Não trazia documentos. Foi sepultado como um Zé qualquer. Ninguém procurou saber seu nome. Marginal não tem nome.
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: Diário de uma favelada (1960). São Paulo: Ática, 2014 - 10. ed. (p. 39)
TEXTO II
Os retirantes (Candido Portinari) Disponível em: https://marcolonguinhos.wordpress.com/. Acesso em set. 2021
TEXTO III
Cresce nos últimos anos o número de famílias cujo principal provedor é a mulher. As pesquisas e estudos sobre a questão usam termos como chefia familiar feminina, domicílios chefiados por mulheres ou mulheres chefes de família. Cabe assinalar que o ponto comum nestes estudos, e que foi o critério aqui adotado para configurar o universo da pesquisa, é a responsabilidade com o sustento econômico destas famílias por parte das mulheres, mesmo quando a principal renda vem da transferência de benefícios efetuados através de Programas de Renda Mínima, que adotam como critério a mulher como beneficiária em função do melhor uso do recurso em gastos com a manutenção da família, principalmente das crianças.
[...]
Tal fenômeno cresce principalmente entre as famílias mais pobres e está relacionada fundamentalmente à menor capacidade de ganho das mulheres, provocada por diversos fatores cujo principal vetor é a condição de gênero articulado à classe e etnia. Segundo Butto (1998, p. 72), “domicílios chefiados por mulheres têm, em média, uma renda menor não porque têm mais crianças ou menos adultos, mas porque a/o chefe do domicilio, sendo uma mulher, ganha menos”.
Segundo dados do PNAD – 1990 (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio), metade das mulheres que trabalham está no setor informal, destituída de direitos previdenciários. Elas trabalham majoritariamente em tempo parcial, contra apenas 15,5% dos homens. Dentre os trabalhadores que desenvolvem atividades em seu próprio domicilio, 82,2% são mulheres, indicando que as oportunidades de multiplicar suas atividades são restritas à possibilidade de compatibilização entre os limites do espaço e as atividades domésticas. Estes limites ganham maior importância quando se trata de lares pobres e desprovidos de infra-estrutura básica (Lavinas, 1996, p. 467).
CARLOTO, Cássia Maria. A chefia familiar feminina nas famílias monoparentais em situação de extrema pobreza. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Porto Alegre, RS: Textos & Contextos (Porto Alegre), vol. 4, núm. 1, 2005.
TEXTO IV
Disponível em: https://radiosaochicoweb.com/patrimonio-dos-26-mais-ricos-equivale-ao-dos-50-mais-pobres-do-mundo/. Acesso em set. 2021.
TEMA DA REDAÇÃO:
A historicidade da extrema pobreza e sua perpetuação no Brasil contemporâneo
1) A redação deverá conter no mínimo 100 (cem) palavras, considerando-se palavras todas aquelas pertencentes às classes gramaticais da Língua Portuguesa.
2) Dê um título à redação.
3) Considere os textos desta prova como motivadores e fontes de dados. Não os copie, sob pena de ter a redação zerada.
4) Recomenda-se que a redação seja escrita em letra cursiva legível. Caso seja utilizada letra de forma (caixa alta), as letras maiúsculas deverão receber o devido realce
5) Utilize caneta de tinta preta ou azul.
6) Não assine a folha da redação.
Gabarito: